SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Nos últimos dias, a rede americana de hotéis Marriott anunciou a assinatura de uma série de contratos para dobrar sua presença no Brasil, que atualmente conta com 15 hotéis de nove diferentes bandeiras da rede.
No total, a Marriott pretende abrir mais de 4.000 novos quartos no país, boa parte deles no segmento econômico e em pequenas e médias cidades, que combinam turismo de negócios e de lazer.
Ao longo dos próximos 15 anos, por exemplo, devem ser inaugurados 30 hotéis da marca City Express só no Nordeste. A bandeira também deve chegar ao Sudeste, em cidades como Holambra, Araras e Piracicaba, em São Paulo, e Passos, em Minas Gerais. Já existem negociações para levar o City Express também a outras regiões.
“O Brasil é um dos últimos territórios que a Marriott ainda não domina, e temos colocado muita energia nisso, principalmente em cidades menores, como Sinop (MT), que tem uma aptidão para negócios que conversa com a proposta do City Express”, diz Paulo Mancio, vice-presidente de desenvolvimento da Marriott no Brasil. “É a nossa marca que mais cresce nos EUA, e também acreditamos muito nela para o Brasil.”
Algumas capitais do Nordeste também devem receber novos empreendimentos. “Nós estamos olhando negócios em Recife e em Fortaleza, e também estamos prestes a fechar um negócio muito interessante em Salvador”, afirma Mancio.
Além dos hotéis econômicos, o executivo afirma que a Marriott, que já é dona do maior portfólio hoteleiro de luxo no mundo, também se movimenta para disputar a sua fatia desse segmento no mercado brasileiro, que nos próximos anos deve ganhar novos hotéis de diferentes concorrentes, como Kempinski, Four Seasons, Anantara e Faena.
Em São Paulo, a Marriott já opera os luxuosos W e JW Marriott, e a bandeira premium Westin -já presente em Porto de Galinhas e, até 2030, também em João Pessoa (PB) e Araçariguama (SP). Segundo Mancio, outras marcas de luxo, como a Bulgari e a Edition, devem chegar em breve.
“Vamos entrar com muita força nesse segmento, com projetos muito especiais em Florianópolis, Jurerê Internacional, que tem um dos maiores PIB por metro quadrado, e Joinville, que é um dos lugares mais ricos do Brasil. Eles demandam essa marca”, diz o executivo. “Também temos um mega projeto em Fortaleza, que combina hotel e residências.”
Mancio atribui a alta expectativa com o Brasil a um desempenho excelente do mercado nacional nos últimos anos, impulsionado principalmente pelos próprios brasileiros, que na pandemia entenderam que também vale a pena viajar dentro do próprio país.
O executivo nota que até mesmo os hotéis em cidades médias têm conseguido altas taxas de ocupação de maneira consistente, o que eleva o valor médio da diária e, consequentemente, o retorno para os investidores.
“Em São Paulo, nós nunca tivemos tantos hotéis com diárias acima de US$ 500, que é uma referência mundial. Não é qualquer capital que chega neste número, mas hoje muitos lugares no Brasil já têm diárias até na casa dos mil dólares”, diz. “Acreditamos muito nesses indicadores.”
Mancio diz ainda que, do lado do investimento, a criação de mais fundos imobiliários dedicados à hotelaria devem impulsionar o setor. “É um fenômeno muito interessante que pode, sem dúvida, catapultar o investimento nessa classe de ativos”, diz.
Nem mesmo as instabilidades do cenário internacional, como a guerra no Oriente Médio, minam o otimismo da Marriot, que aposta no Brasil e na América do Sul como a bola da vez no setor.
“Se tivermos uma gestão positiva, dos governos também, eu não tenho a menor dúvida que vamos expandir demais”, diz ele. “Temos uma perspectiva de médio e longo prazo muito importante entre a Marriott, o Brasil e a América do Sul.”