Master e Reag pagaram R$ 3,6 milhões a empresa de ACM Neto, segundo Coaf

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Uma empresa do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil-BA) recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da Reag, gestora de recursos suspeita de envolvimento com o crime organizado, de março de 2023 a maio de 2024, segundo informações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem.

À reportagem ACM Neto confirmou os contratos, mas declarou que os serviços prestados por ele “não envolveram qualquer tipo de irregularidade” e não têm correlação com as investigações envolvendo o Banco Master e a Reag.

O Relatório de Inteligência Financeira do Coaf indica que o Master pagou R$ 1,8 milhão em doze repasses para a empresa de ACM Neto no período, enquanto a Reag repassou R$ 1,83 milhão em 13 transferências no mesmo intervalo.

O documento foi enviado à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, do Senado.

A A&M Consultoria Ltda está no nome do ex-prefeito e de sua mulher, Mariana Almeida Barreto de Magalhães, e presta serviços de consultoria em gestão empresarial. Segundo o documento, a empresa foi aberta com capital social de R$ 2.000 e tem faturamento médio mensal de R$ 537,5 mil.

Segundo o Coaf, de 15 de junho de 2023 a 3 de maio de 2024, a Reag pagou R$ 1,5 milhão à consultoria de ACM Neto, enquanto o Master enviou R$ 1,3 milhão. Nesse período, o político ainda aparece entre os principais favorecidos pelos recursos, recebendo R$ 4,2 milhões da própria empresa.

Já entre 2 de março e 12 de junho de 2023, a A&M Consultoria recebeu cerca de R$ 976 mil, sendo R$ 422,3 mil da instituição de Daniel Vorcaro e R$ 281,5 mil da gestora de recursos. O ex-prefeito de Salvador embolsou R$ 710 mil repassados pela companhia por meio de três transações.

Nos documentos, o Coaf afirmou que a empresa de ACM Neto e de sua mulher movimentou “recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”.

“Diante do exposto, identificamos que: a conta apresentava movimentação constante, entretanto, houve ausência repentina de movimentação, sem aparente justificativa e sócio sem aparente capacidade financeira para figurar no quadro societário perante o porte da atividade empresarial declarada”, diz o relatório financeiro.

Em nota, o político baiano afirmou que, no período do contrato, não existia nada que desabonasse o Master e a Reag, “sendo ambas atuantes em segmento empresarial rigidamente regulado”.

“Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”, disse.

Em vídeo publicado nas redes sociais, ACM Neto disse ainda que irá acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) para apurar o vazamento de dados que, segundo ele, foram manipulados. Ele declarou que irá “se colocar inteiramente à disposição de todas as autoridades e órgãos para prestar qualquer tipo de esclarecimento que seja necessário”.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Reag por mensagem às 18h06 desta quarta-feira (11). A gestora de recursos afirmou que não irá se manifestar.

A Reag é investigada no caso Master e suspeita de envolvimento com o crime organizado. A empresa foi um dos alvos das investigações da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela PF (Polícia Federal) em agosto de 2025, que apura a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal, incluindo o mercado financeiro.

A Reag Trust, instituição financeira que administra fundos de investimento, teve sua liquidação decretada em janeiro pelo BC. O fato ocorreu um dia depois de a PF deflagrar a segunda fase da operação Compliance Zero, que apura a atuação de fundos de investimento que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.

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