BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, disse estar feliz com a confiança do ministro Fernando Haddad (Fazenda) pela indicação de seu nome ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a diretoria do Banco Central e se colocou à disposição para a função. Segundo ele, ainda não houve um convite formal do chefe do Executivo.
“Fico lisonjeado pela lembrança do meu nome, muito feliz com a confiança do ministro em indicar meu nome, no entanto, não recebi nenhum convite. Estou aqui trabalhando normalmente com minha equipe no Ministério da Fazenda”, afirmou.
“Estou à disposição do presidente [Lula], do ministro [Haddad], para cumprir as tarefas que eles julgarem pertinentes, tenho a capacidade de realizá-las, como, junto com a minha equipe, a gente mostrou bons resultados, não só do ponto de vista das projeções, dos estudos, das proposições legislativas, das medidas de políticas públicas”, disse. “Estou sereno e fico feliz que o ministro tenha confiança no meu nome para essa função”, acrescentou.
Na última terça (3), Haddad confirmou ter indicado o nome de Mello para Lula para a diretoria do BC. Ele é cotado para comandar a área de Política Econômica após a saída de Diogo Guillen, cujo mandato terminou em 31 de dezembro de 2025.
“Três meses atrás, eu levei para ele [Lula] considerar dois nomes que me parecem muito interessantes: um economista professor em Cambridge chamado Tiago Cavalcanti, e o outro é meu secretário de Política Econômica [Guilherme Mello], que trabalha há três anos conosco e está fazendo um excelente trabalho”, afirmou o chefe da equipe econômica em entrevista à BandNews FM.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, o nome Mello para uma vaga no BC foi sendo recebido com desconfiança pelo mercado financeiro. O economista tem forte ligação com o PT -trabalhou na formulação do plano econômico do governo Lula. Sua indicação, se confirmada por Lula, sinalizaria influência não apenas de Haddad, mas do partido e do governo na autoridade monetária.
Mello é visto como um economista heterodoxo, que poderia se tornar uma voz divergente no Banco Central em defesa de redução da taxa básica de juros (Selic), hoje estacionada em 15% ao ano.
Questionado se via espaço para um corte de juros mais agressivo em março, após sinalização do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a flexibilização da Selic, Mello evitou dar a opinião dele.
“Esse é um tema que o Copom que tem que decidir. Ele anunciou que vai iniciar um movimento de flexibilização, qual vai ser a magnitude é uma decisão que eles vão tomar no momento correto, que é o momento da reunião do Copom, com base nas melhores informações que eles tiverem. Nós não projetamos isso e não será agora que eu começaria a projetar”, disse.
Sobre declarações anteriores a respeito da trajetória dos juros, o auxiliar de Haddad disse ter se posicionado com base em avaliações técnicas. “Nunca fui peremptório de falar ‘é isso ou não é isso’. [..] Nós temos uma análise baseada no nosso cenário, o que é tecnicamente possível fazer. É uma análise, mas não é uma recomendação, uma opinião, assim como o próprio Banco Central também usa a política fiscal como insumo em seus modelos. […] Cada um está no seu quadrado, isso é muito importante.”
O secretário da Fazenda disse ser amigo de longa data do presidente do BC, Gabriel Galípolo, desde os tempos da faculdade, mas negou ter tratado sobre a indicação com o chefe da autarquia, visto que a decisão ainda não foi tomada por Lula.
“É uma discussão que cabe ao presidente da República, ao ministro da Fazenda, ao presidente do Banco Central tomar uma decisão sobre o perfil, os nomes, como, quando, onde vai ser decidido isso, eu sigo secretário de Política Econômica”, disse.