BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou nesta sexta-feira (27) que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, use um jato da Polícia Federal para viajar até Brasília, onde o banqueiro irá depor à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.
O depoimento será realizado em 10 de março.
A CAE montou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações do escândalo envolvendo o banco, que foi liquidado no ano passado pelo Banco Central, uma derrocada que custou R$ 50 bilhões ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
A decisão de Mendonça se dá depois de o ministro vetar, na última sexta (20), o uso de uma aeronave particular para o deslocamento de Vorcaro para a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS, como havia pedido os advogados.
O ministro já havia informado que o dono do Master poderia usar o jato da PF ou optar por um voo comercial.
Na ocasião, o ministro do Supremo também decidiu que Vorcaro não é obrigado a depor à CPI do INSS. O dono do Master era esperado no colegiado na segunda (23), mas cancelou sua participação diante da negativa de Mendonça para liberar o uso de jato particular.
À CPI, os advogados do banqueiro afirmaram que o transporte do depoente em uma aeronave particular seria necessário por questões de segurança, para preservar sua imagem e evitar tumultos em aeroportos.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, o Senado tem se organizado em três frentes para driblar o presidente da casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que resiste em abrir uma CPI do Master na Casa, e apurar as fraudes bilionárias envolvendo o banco.
Além da CPI do INSS e da CAE, a CPI do Crime Organizado convocou Vorcaro e seu ex-sócio Augusto Lima para que os dois prestem depoimento ao colegiado.
De acordo com o relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), as medidas “são fundamentais para ajudar o Brasil a entender e combater a infiltração do crime nas mais altas camadas do poder público”.
Vorcaro está sob monitoramento de tornozeleira eletrônica desde o fim de novembro do ano passado. Ele havia sido preso no aeroporto de Guarulhos (SP), quando embarcava para o exterior, no âmbito da operação Compliance Zero da Polícia Federal.