São Paulo, 17 de março de 2026 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC)se reúne hoje e amanhã para definir o futuro da taxa básica de juros da economia brasileira, aSelic, para os próximos 45 dias. A decisão será anunciada no final da quarta, a partir das 18h30.
A maioria do mercado aposta no início do ciclo de cortes na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.Antes do conflito no Oriente Médio e da consequente disparada nos preços do petróleo, era quaseunânime um corte de 0,50 ponto percentual. Mas neste momento cresce o sentimento entre osparticipantes de uma redução de 0,25 ponto, com o Comitê adotando uma postura mais cauteloso. Háuma minoria que não descarta a manutenção do juro básico
As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus, divulgada nasegunda, mantiveram em 12,25% a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026.
A Ativa Investimentos manteve a perspectiva de corte de 50 bps, a despeito dos últimos dados maisquentes da atividade e do caos no mercado de petróleo. “Primeiramente, avaliamos que o grau derestrição atual do juro já é suficiente para absorver os efeitos secundários de um choque deoferta que, segundo as movimentações de Trump, sugere-se que será temporário”, explica a Ativa.
Adicionalmente, o BC já fez uma sinalização por corte, inclusive alegando que considera 50 bps umcorte cauteloso. A autoridade pode promover um corte de meio ponto e adotar uma comunicação maisdovish.
A Levante lembra que há algumas semanas, os investidores esperavam corte de juros de 0,50 pontopercentual pelo Copom. “Agora, isso mudou. No dia 26 de fevereiro – dois dias antes do ataqueamericano ao Irã -, as opções de Copom negociadas na B3 precificavam uma probabilidade robusta de83% de corte de 0,50 ponto percentual na Selic. A probabilidade de manutenção das taxas erapraticamente inexistente, em apenas 2%, e a chance de um corte mais modesto, de 0,25 pontopercentual, era a aposta de apenas 14% cento dos contratos”.
Esse quadro se inverteu. A probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual quase quadruplicou,saltando para 53%. A previsão de um corte de 0,50 ponto percentual, que era majoritária, despencoupara 23% -menos de um quarto da estimativa registrada antes do conflito. “E, para além da magnitudedo corte, surgiu uma possibilidade que poucos cogitavam: a de que o Banco Central (BC) decida nãocortar os juros nesta reunião, com a probabilidade de manutenção da Selic atingindo 25%”,completa.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, lembra que os fundamentos internos e externoscorroboravam para um corte de 0,50 ponto, antes do início do conflito. “No entanto, o cenáriomudou de forma significativa a partir da escalada das tensões no Oriente Médio”, explica.
Para o Banco Central brasileiro, principalmente, houve mudanças importantes no ambiente macro. Odólar passou a apresentar maior volatilidade e voltou a subir, superando R$ 5,25. Além disso, omecanismo de transmissão do aumento do petróleo – que passou a negociar em patamares próximos deUS$ 100 o barril – representa um choque com potencial inflacionário relevante.
Segundo ele, a expectativa do mercado é que o Banco Central reduza a Selic em apenas 0,25 pontopercentual, para 14,75%, na próxima reunião. É a primeira vez desde o início de dezembro de 2025que a mediana do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o relatório Focus, deixa de indicar umcorte de 0,50 ponto.
“Vale ressaltar que, diferentemente de muitos outros países, o Brasil ainda possui espaçorelevante para cortes de juros, dado que a Selic se encontra em um patamar elevado, enquanto asexpectativas de inflação vinham sendo revisadas para baixo. Ainda assim, a trajetória dapolítica monetária dependerá fortemente da evolução dos preços das commodities, docomportamento do dólar e da reação dos principais bancos centrais globais a esse novo cenáriogeopolítico”, completa.
A Austin Rating projeta corte de 0,5 p.p. na taxa básica de juros. “consideramos haver condiçõesestruturais para um corte de juros”, justifica em boletim. ” Caberá ao Copom manter o teor duro nocomunicado pós decisão, e explicitar quais são suas preocupações acerca da dinâmica dospreços do petróleo e seus efeitos na economia brasileira”.
O BTG Pactual relembra que a comunicação recente do Banco Central sinaliza duas opções para estareunião: um corte de 25 pb ou de 50 pb. “Embora o cenário recente traga sinais mistos, o principalfator de incerteza passou a ser o choque no preço do petróleo associado ao conflito geopolítico”,acrescenta. “Avaliamos que a estratégia mais consistente é um início de ciclo mais conservador,com corte de 25 pb, acompanhado de sinalização de continuidade da flexibilização, com o ritmocondicionado à evolução do cenário. Um corte inicial de 50 pb parece improvável a preços dehoje, podendo se tornar viável caso a incerteza no cenário externo diminua de maneira efetiva”.
Os economista do Bank of America (BofA) revisaram a projeção para o corte da Selic na reunião demarço. “Agora esperamos que o colegiado inicie o ciclo de afrouxamento com um corte de 25pontos-base na reunião desta semana, em vez de 50 pontos-base, diante da forte escalada dastensões geopolíticas”, explicam. “Agora esperamos a taxa Selic em 11,75% ao fim de 2026 e em10,50% ao fim de 2027 (inalterado). Todo esse cenário depende da evolução das tensões globais”,ressalvam.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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