Mercado formal contrata: jovem, pardo, com ensino médio e renda próxima ao salário mínimo

Uma image de notas de 20 reais
Apenas em janeiro, 61,6% dos contratados com carteira tinham de 18 a 24 anos
(Freepik)
  • Contratações se concentraram em atividades com menor remuneração, incluindo aprendizes e trabalho intermitente
  • Segundo o Caged, 84% dos admitidos no primeiro mês de 2026 ganham de 1 a 1,5 piso nacional (de R$ 1,6 mil a R$ 2,4 mil)
Por Vitor Nuzzi

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O mercado formal de trabalho abriu 112,3 mil vagas com carteira assinada no primeiro mês do ano, mas um olhar sobre perfil desses empregos mostra público bem definido. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as contratações se concentraram no público jovem (até 24 anos), pardos (classificação adotada oficialmente), com ensino médio e com menor remuneração (até 1,5 salário mínimo). “Foi bastante elevado o número de contratações não típicas”, disse o ministro Luiz Marinho. Essa categoria inclui aprendizes, trabalho intermitente e com jornada de até 30 horas semanais. Do saldo de janeiro, quase 42% (47,1 mil) se enquadram nessas modalidades. Parte se explica pela mão de obra no campo, principalmente na colheita de soja. Os típicos ganham 13,7% a mais, em média.

Assim, apenas em janeiro, 61,6% dos contratados com carteira tinham de 18 a 24 anos. E 37,9%, até 17. Ou seja, só entraram jovens no mercado. E 68,1% eram pardos, classificação adotada pelo IBGE. Na escolaridade, mais de 70% tinham ensino médio, entre completo (62%) e incompleto (11,4%) e 20,7%, fundamental completo ou completo. Esse conjunto de características se reflete na remuneração: 83,8% dos admitidos têm remuneração de 1 a 1,5 salário mínimo (no máximo, R$ 2,4 mil) e 11,5%, até um piso (R$ 1,6 mil). A partir de R$ 5 mil, o saldo é negativo – mais demissões do que contratações.

Segundo a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, a partir de março devem aparecer mais mulheres (15,8% do total em janeiro) e mais adultos na faixa de 29 a 39 anos. Nos dois primeiros meses do ano, o movimento atinge basicamente a parte de baixo da pirâmide populacional. “O padrão é este jovem de 18 a 24 anos, pardo e com ensino médio completo”, afirmou a pesquisadora. O incompleto inclui aprendizes. Janeiro apresenta ainda contratações na agricultura – “Safristas. Soja, uva e maçã, basicamente” – e na construção civil. “Não são exatamente temporárias como tipo de contrato, mas são de curta duração.”

Quatro dos cinco setores de atividade abriram vagas em janeiro. A exceção foi o comércio, que fechou 56,8 mil, principalmente nos segmentos de vestuário, calçados e artigos para viagem. “O comércio costumeiramente vem com números negativos [em janeiro]”, disse o ministro do Trabalho. Em 2025, por exemplo, o saldo foi de -48,4 mil. Mas a tendência é de que as contratações comecem, gradualmente, a partir de fevereiro. O comércio, que inclui reparação de veículos, tem estoque de quase 10,8 milhões de empregos, ante 10,5 milhões em janeiro do ano passado. No total, o estoque do Caged é de 48,6 milhões de vínculos.

O saldo do Caged é o resultado da diferença entre 2,2 milhões de contratações formais e 2,1 milhões de desligamentos. Percentualmente, o crescimento de janeiro (+0,23%) é o segundo menor desde 2020, quando começou a nova série. O ministro atribui o resultado mais fraco ao aumento da taxa básica de juros. “Eu já vinha cantando essa bola há muito tempo”, afirmou. “O ritmo dos juros iria diminuir a velocidade da economia.” Mesmo com a desaceleração prevista para este ano, ele acredita que o saldo será próximo ao de 2025 (1,3 milhão), “com viés de alta”. O PIB cresceu 2,3% em 2025, ante 3,4% no ano anterior, e a previsão para este ano, por enquanto, é de 1,8%.

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