Ministro do Irã diz que EUA não pediram fim de enriquecimento de urânio e que acordo nuclear é possível

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse na sexta-feira (20) que o país deve ter uma contraproposta de acordo nuclear para apresentar aos Estados Unidos nos próximos dias.

A fala vem após as negociações em Genebra, na Suíça, esta semana. O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta sexta que estava considerando ataques militares limitados.

Araqchi disse à MS NOW, uma rede de televisão dos EUA, que os americanos não buscaram impedir o Irã de enriquecer urânio e o Irã não ofereceu suspender o enriquecimento.

“O que estamos discutindo agora é como garantir que o programa nuclear do Irã, incluindo o enriquecimento, seja pacífico e permaneça pacífico para sempre”, disse Araqchi.

A Casa Branca, no entanto, negou que o enriquecimento de urânio tenha ficado de fora das conversas. “O presidente foi claro que o Irã não pode ter armas nucleares ou a capacidade de construí-las, e que não pode enriquecer urânio”, afirmou um porta-voz.

O ministro do país persa não deu um prazo específico para a entrega da contraproposta, mas disse acreditar que um acordo diplomático estava ao alcance e poderia ser alcançado “em um período muito curto de tempo”.

Ele afirmou que os lados chegaram a um entendimento sobre os principais “princípios orientadores”, mas que isso não significa que uma resolução seja iminente.

Araqchi acrescentou que “medidas de construção de confiança” técnicas e políticas seriam implementadas para garantir que o programa permanecesse pacífico em troca de ações sobre as sanções, mas não deu mais detalhes.

Nesta quinta-feira (19), Trump deu a Teerã um prazo de 10 a 15 dias para fechar um acordo que resolva a antiga disputa nuclear ou enfrentar “coisas muito ruins”, em meio a um acúmulo militar americano no Oriente Médio que alimentou temores de uma guerra mais ampla.

Dois funcionários americanos disseram à agência de notícias Reuters que o planejamento militar dos EUA em relação ao Irã havia alcançado um estágio avançado, com opções que incluem atacar indivíduos específicos como parte de uma ofensiva e até mesmo buscar uma mudança de liderança em Teerã, caso Trump ordene.

Questionado na sexta-feira se estava considerando um ataque limitado para pressionar o Irã a fechar um acordo, Trump disse a repórteres na Casa Branca: “Acho que posso dizer que estou considerando isso”.

Depois, perguntado sobre o Irã em uma entrevista coletiva, Trump acrescentou: “É melhor eles negociarem um acordo justo”.

Em seus comentários, o presidente dos EUA afirmou que havia uma diferença entre o povo do Irã e a liderança do país e se referiu à recente repressão de Teerã a protestos populares. Trump disse que “32 mil pessoas foram mortas em um período relativamente curto de tempo”, números que não puderam ser verificados imediatamente.

“É uma situação muito, muito, muito triste”, disse Trump, acrescentando que suas ameaças de atacar o Irã levaram a liderança a abandonar planos de enforcamentos em massa duas semanas atrás.

“Eles iam enforcar 837 pessoas. E eu dei o recado: se vocês enforcarem uma pessoa, mesmo uma única pessoa, vocês serão atacados na hora”, disse ele.

O grupo Hrana, sediado nos EUA, que monitora a situação dos direitos humanos no Irã, registrou 7.114 mortes verificadas e diz ter outras 11,7 mil em análise.

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