SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar registra queda pelo quinto pregão consecutivo nesta quarta-feira (25), com cenário eleitoral e internacional em foco.
Ao mesmo tempo, os investidores apostam em ativos de maior risco, com perspectiva positiva para o setor de tecnologia dos Estados Unidos, em pregão com balanço da Nvidia.
Às 12h15, a moeda norte-americana caía 0,10%, cotada a R$ 5,149, em linha com o índice DXY que mede o desempenho da divisa frente a outras seis moedas fortes, recuando 0,14%.
No mesmo horário, a Bolsa também recuava, em ritmo mais intenso de 0,24%, a 191.015 pontos, com a pressão de ações de Petrobras e bancos brasileiros. Na máxima do pregão, o Ibovespa atingiu 192.623 pontos, um novo recorde intradiário.
No Brasil, destaque para a pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada mais cedo, que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em simulações de segundo turno da disputa presidencial.
No segundo turno, Flávio tem 46,3%, contra 46,2% de Lula. Já Tarcísio soma 47,1%, contra 45,4% de Lula. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais e para menos.
“O mercado tende a reagir de forma mais positiva a candidatos percebidos como mais alinhados à agenda liberal, com foco em privatizações e pautas pró-mercado, o que acaba impactando, ainda que de forma moderada, o desempenho do índice”, diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos
No cenário internacional, a leitura é de que o discurso de Donald Trump ao Congresso norte-americano não mudou o rumo da política econômica do país.Em
Nos últimos pregões, analistas têm acompanhado a nova política tarifária do presidente dos Estados Unidos. A alíquota estipulada pelo governo norte-americano foi de 10%, segundo aviso emitido pela CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras, na sigla em inglês), ao contrário dos 15% prometidos.
A imposição de uma taxa mais baixa gerou confusão entre os agentes econômicos, e nenhuma explicação foi fornecida pelas autoridades americanas.
“Diante da diminuição da alíquota, temos visto valorizações de moedas e de ações de mercados emergentes. É um cenário de apetite por risco que tende a favorecer, principalmente, economias com juros mais altos e retornos atrativos, como o Brasil”, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.
A nova taxa é uma reação à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou as tarifas anunciadas no “Dia da Libertação” ilegais. O tarifaço anterior tinha como base jurídica a IEEPA Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, que permitia a aplicação de sobretaxas de importação a todos os países sem aprovação do Congresso.
Os juízes discordaram que a lei, criada em 1977 para situações de emergência, de fato concedia ao presidente esse poder. O placar da decisão foi de 6 votos a 3.
A nova carga tarifária se ampara, dessa vez, em um dispositivo de 1974. A seção 122 dá a Trump poder para impor temporariamente taxas de até 15% sobre importações quando houver déficits significativos na balança de pagamentos.
Nesse caso, a taxação expira em 150 dias, a menos que o Congresso aprove uma extensão. O governo trabalhará na emissão de tarifas “legalmente admissíveis” no paralelo, afirmou Trump.
A cobrança coloca em dúvida os acordos negociados recentemente pelos EUA com parceiros comerciais, já que a nova tarifa pode se sobrepor aos termos já estabelecidos. Na segunda, Trump advertiu países contra algum recuo nos entendimentos, dizendo que, se o fizerem, ele adotará tarifas muito mais altas sob diferentes leis comerciais.
O Japão solicitou aos Estados Unidos que garantam que seu tratamento sob um novo regime tarifário seja tão favorável quanto no acordo existente. Tanto a União Europeia quanto o Reino Unido indicaram que desejam manter os acordos já firmados.
No Brasil, a leitura é de que as novas tarifas podem ser benéficas ao país, já que são significativamente menores do que a carga que antes incidia sobre alguns produtos brasileiros.
Essa visão aumenta a atratividade do mercado nacional, já beneficiado pelo fluxo de investidores estrangeiros para praças emergentes.
A entrada de investidores estrangeiros no país deriva de um movimento de diversificação de carteiras em escala global, reflexo, entre outros fatores, dos temores instalados pela condução geopolítica do governo Donald Trump.
A manutenção dos juros brasileiros a 15% o maior em quase duas décadas também beneficia o fluxo de capital e preserva a atratividade das operações de carry trade.
Nessa operação, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhar com o diferencial de juros, o que tende a favorecer o real.