São Paulo, 12 de novembro de 2025 – O presidente do Sistema Transporte formado pelaConfederação Nacional do Transporte (CNT), SEST SENAT e Instituto de Transporte e Logística (ITL), Vander Costa, destacou o papel do Brasil como líder potencial em soluções sustentáveis,especialmente pela matriz energética mais limpa e pela capacidade de inovar em biocombustíveis etransporte verde, em painel realizado na Estação do Desenvolvimento, espaço da entidade na GreenZone da COP 30, nesta terça-feira (11/11).
O Sistema Transporte reuniu representantes do setor para debater a redução de emissões de carbononas operações rodoviárias, hidroviárias, ferroviárias e aeroviárias.
O presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, destacou que a transição para um transporte debaixo carbono exige cooperação entre o governo, a iniciativa privada e a sociedade civil. SegundoVander, o Estudo de Coalizão para Descarbonização dos Transportes tem papel estratégico natransição energética, mas o avanço depende de políticas integradas e de investimentoscontínuos em tecnologia e infraestrutura. Não é possível falar em descarbonização sem falar emlogística, planejamento e financiamento. Temos buscado unir esforços para garantir que atransição ocorra de forma justa, com segurança energética e sem comprometer a competitividade dopaís, afirmou.
Ele ressaltou que a coalizão representa um marco de colaboração multissetorial, reunindoentidades empresariais, representantes do poder público e da academia em torno de ações concretasde redução de emissões.
O transporte é vetor do desenvolvimento, mas também precisa ser vetor da sustentabilidade. Nossodesafio é equilibrar esses dois lados, e isso só será possível se pensarmos em longo prazo, compolíticas de Estado, não apenas de governo, completou.
Entre as medidas apontadas pelo estudo, três foram destacadas como centrais para acelerar atransição: a ampliação do uso de biocombustíveis e energia elétrica nos modais de transporte,o fortalecimento da infraestrutura de recarga e abastecimento sustentável e a renovação da frotanacional com incentivo à eficiência energética.
Nesse sentido, Vander também defende a adoção de um IPVA progressivo, que estabeleceriaalíquotas mais elevadas para veículos com maior emissão de gases de efeito estufa e redução deimpostos para modelos elétricos, híbridos ou movidos a biocombustíveis. Não se trata apenas depunir quem polui mais, mas de premiar quem faz escolhas sustentáveis. É um caminho de incentivo,não de penalização, afirmou Vander Costa, reforçando que a implementação de mecanismoseconômicos é essencial para dar escala às políticas de descarbonização.
Estudo Coalizão dos Transportes pela Descarbonização
É uma iniciativa inédita conduzida pelo Sistema Transporte formado pela Confederação Nacionaldo Transporte (CNT), SEST SENAT e Instituto de Transporte e Logística (ITL) , em parceria com aMotiva (novo nome do Grupo CCR), pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o DesenvolvimentoSustentável) e pelo Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável, do Insper. que contou com aparticipação de 50 empresas, entidades e organizações da sociedade civil. O material integra apauta que a instituição leva à COP 30, em Belém (PA).
O documento traça um plano com 90 alavancas para reduzir as emissões de carbono do setor em até68% nos próximos 25 anos, com ênfase em três medidas estratégicas: maior equilíbrio entre osmodais, priorizando a ampliação do transporte ferroviário, hidroviário e por cabotagem; adoçãoem larga escala de biocombustíveis como etanol, biodiesel e SAF (combustível sustentável deaviação); eletrificação e tecnologias Power-to-X, incluindo o hidrogênio verde.
As projeções indicam que a evolução modal pode reduzir as emissões em até 290 MtCOe até 2050o uso de biocombustíveis pode adicionar 25 bilhões de litros anuais à matriz, e a eletrificaçãopode cobrir até 50% da frota leve, criando impactos ambientais e econômicos positivos.
As medidas foram elaboradas com base em diagnósticos técnicos, modelagens econômicas e consultasa especialistas, que identificaram o potencial de corte nas emissões e orientaram como enfrentar osprincipais desafios do setor, como a dependência do modal rodoviário e dos combustíveis fósseis,por meio de diretrizes que permitam ao Brasil avançar de forma coordenada rumo à neutralidadeclimática.
O Estudo Coalizão dos Transportes mostra como o setor tem potencial e propósito na transiçãoenergética no país. Para isso, há propostas de investimentos direcionadas à expansão decorredores ferroviários e hidroviários, à modernização portuária e ao incentivo àintermodalidade, com integração física e tecnológica entre diferentes modais. A estimativa é deque as medidas possam atrair R$ 600 bilhões em investimentos para o Brasil.
O Sistema Transporte, que já participou de edições anteriores da conferência incluindo umpainel sobre hidrogênio verde na COP 28, em Dubai, e participações ativas nas Blue e Green Zonesda COP 29, nos espaços da ApexBrasil, do Consórcio Amazônia Legal e da CNI , aposta agora em umprotagonismo maior. Pela primeira vez, a organização terá um espaço próprio: a Estação doDesenvolvimento, na Green Zone, onde serão realizados debates e rodadas de negócios com foco emsoluções concretas para a mobilidade sustentável e a logística nacional. Também de modoinédito, possui um espaço na Blue Zone, que deve abrigar articulaões multissetores com entidadese representantes governamentais. A programação inclui ainda passeios culturais e apresentaçõesartísticas.
Como articulador estratégico e multissetorial, o Sistema Transporte reforça seu papel natransição energética brasileira, promovendo diálogo, unindo agentes econômicos com interessesdistintos e transformando a complexidade da descarbonização em oportunidades concretas. O grandedesafio é fazer convergir tantos agentes econômicos, com perfis e interesses diversos, para umaagenda comum de descarbonização. O Sistema Transporte contribui com o diálogo ao transitar portodos esses ambientes e conhecer a linguagem técnica, econômica e social do setor, finaliza VanderCosta.
Sustentabilidade e novos investimentos
O CEO da Motiva, Miguel Setas, painelista do evento, acrescentou que a adoção de critérios deeficiência e emissões no sistema tributário aproxima o Brasil das melhores práticasinternacionais, enquanto a diretora executiva do CEBDS, Daniela Mignani, destacou que aprevisibilidade regulatória é fundamental para atrair investimentos e garantir que o setor privadoparticipe ativamente da transição. Ele ressaltou ainda a importância da cooperação técnica eda troca de experiências entre países e setores. O transporte sustentável pode se tornar umdiferencial competitivo para o Brasil, atraindo investimentos e gerando empregos de qualidade,observou.
Já Daniela enfatizou a necessidade de convergência entre políticas públicas e compromissosempresariais, destacando que a coalizão oferece um espaço inédito de diálogo. É essencial queas ações de descarbonização sejam articuladas com metas claras e mecanismos de monitoramento.Só assim será possível garantir que o setor avance de forma transparente e efetiva, disse.
O painel foi mediado por Ana Patrizia Lira, diretora-executiva da ANPTrilhos, e também contou com aparticipação de Fábio Guido (superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco) e de BrunoTemer, gerente de Sustentabilidade para a América do Sul na Michelin, que contribuíram com visõescomplementares sobre a integração de políticas de transporte, energia e inovação tecnológicano combate às mudanças climáticas.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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