RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Planejando usar o cargo de inspetor de carreira como ativo na campanha pelo Governo do Rio de Janeiro, o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), 37, tem mais tempo na política do que na polícia.
Ruas ocupa há nove anos cargos sob influência do pai, capitão Nelson Ruas (PL), prefeito de São Gonçalo, e do deputado Altineu Côrtes, vice-presidente da Câmara que tem base eleitoral na cidade. Nenhum desses postos tinha vínculo com segurança pública, tema considerado o principal no estado e que o secretário busca reivindicar como bandeira em razão de seu vínculo com a Polícia Civil.
O secretário da gestão Cláudio Castro (PL) foi escolhido como palanque de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro, pré-candidato à Presidência, após construir boas relações políticas com dirigentes partidários e prefeitos no estado.
Ruas foi eleito pela primeira vez em 2022 como deputado estadual com a segunda maior votação (175.977). Ele obteve grande parte (149.576) dos votos de seus eleitores em São Gonçalo, ao garantir 33% dos votos válidos da cidade, terceiro maior colégio eleitoral do estado.
A ascensão do secretário ocorreu em conjunto com o pai, reeleito em 2024 com 84,5% dos votos válidos, maior percentual entre cidades acima de 500 mil eleitores. A vitória ajudou Ruas a garantir um espaço na máquina estadual, o que ampliou suas conexões políticas.
À frente da pasta de Cidades, Ruas tem tido contato frequente com prefeitos de todo o estado, conduzindo asfaltamento de ruas, melhorias urbanas e nos sistemas de drenagem de diferentes municípios. Ao mesmo tempo, conduz um dos principais investimentos da gestão Castro, um corredor de ônibus em São Gonçalo ao custo de R$ 320 milhões.
Com o bom trânsito político construído neste período, venceu, ao menos por ora, o cabo de guerra com Felipe Curi, secretário de Polícia Civil e delegado há mais de 20 anos, cuja popularidade explodiu após a Operação Contenção, no Complexo do Alemão, em outubro, quando 122 pessoas foram mortas. Ruas foi avalizado pelos aliados PP e União Brasil, que indicarão nomes para a vice e o Senado, respectivamente.
“O que me projetou para ser um nome considerado foi a minha atuação na secretaria, que me deu capilaridade de relação institucional com prefeitos e deputados e me deu a oportunidade de conhecer o interior do estado”, disse Ruas à reportagem.
Apesar de ter obtido a vaga por meio da política, Ruas pretende explorar na campanha o fato de ser policial civil, a fim de apresentar credenciais no tema da segurança pública.
“O governador tem que conhecer de gestão pública e dar atenção a todas as áreas. […] Ter essa origem de segurança pública me ajuda a compreender melhor a situação, sobretudo dos nossos policiais. O que eles passam e o que eles pensam. Vemos muitos especialistas querendo dar opinião, mas ninguém conhece mais a realidade de segurança pública do que os nossos policiais”, afirmou.
O secretário tem uma curta carreira atuando de fato na corporação: ingressou em dezembro de 2013 e saiu em dezembro de 2016. Neste período, trabalhou na 81ª DP (Itaipu) e na Delegacia de Homicídios de Niterói.
Em 2017, foi cedido para a Prefeitura de São Gonçalo para o cargo de subsecretário do Trabalho.
Dois anos depois, assumiu a Superintendência Regional da Baía de Guanabara no Inea (Instituto Estadual do Ambiente), órgão à época sob influência de Altineu Côrtes. O deputado havia feito em 2018 campanha em conjunto com o capitão Nelson em São Gonçalo.
No início do primeiro mandato do pai na cidade, em 2021, Ruas foi nomeado secretário municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais. Ele se tornou uma espécie de gerente dos principais investimentos na cidade, ganhando visibilidade para a futura candidatura.
Enquanto o pai, um ex-oficial da PM com perfil mais simples, atuava nas ruas, Douglas, descrito como mais articulado, era o responsável por captar recursos para investimento na cidade.
“A atribuição era criar um portfólio de projetos e captar recursos junto ao governo federal, estadual e parlamentares com emendas. […] Nesse período fui estabelecendo relações.”
Eleito em outubro de 2022, Ruas ficou apenas nove meses na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Assumiu a Secretaria de Cidades em setembro de 2023. Agora, ele tem acompanhado Castro em inaugurações em todo o estado desde a escolha para disputar o Palácio Guanabara em outubro.
Seu nome, porém, ainda não está confirmado como opção do PL para o provável mandato-tampão após a renúncia do governador, que deve deixar o cargo nas próximas semanas para disputar o Senado.
Castro ainda defende o nome de seu secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, para encerrar o ano. O objetivo é manter um aliado próximo no fechamento do governo que lhe garanta algum controle sobre a máquina estadual durante as eleições.
Flávio, porém, defende que Ruas concorra à eleição indireta para que dispute já no cargo, fortalecendo seu palanque no estado.