São Paulo, 16 de janeiro de 2026 – O BTG Pactual divulgou na quinta-feira (15) um extensorelatório sobre a Petrobras, antes da companhia anunciar que bateu recordes de produção, na noitede ontem (15). A análise destaca sua avaliação de uma mudança no ciclo político brasileirodificilmente provocará uma mudança significativa na direção estratégica da companhia desta vez,enquanto espera que a alavancagem continue aumentando até 2027, dada a contínua discrepânciaentre a política de dividendos e a geração real de fluxo de caixa. A expectativa contraria umhistórico de que as ações da companhia têm sido altamente sensíveis aos ciclos políticos, naavaliação dos analistas.
O banco disse que assumiu recentemente a cobertura do setor de Petróleo e Gás com recomendaçãoneutra para as ADRs da Petrobras, com preço-alvo de US$ 15,00, ao reconhecer que as ações daPetrobras continuam sendo um veículo natural para investidores que buscam exposição àseleições presidenciais brasileiras em outubro, especialmente considerando o universo cada vezmenor de empresas estatais listadas.
Em relação à produção, o BTG também ressaltou a execução das atividades de exploração eprodução da Petrobras e indicou a expectativa de cerca de 2,7 milhões de barris por dia até 2028(contra 2,4 milhões de barris por dia em 2025 e 2,54 milhões de barris por dia em 2026), com riscode alta no curto prazo, visto que os órgãos reguladores aprovaram aumentos de capacidade de 115mil barris por dia (cerca de 90 mil barris por dia líquidos para a Petrobras) em FPSOs existentes.
O relatório explica que o crescimento da produção é impulsionado por 12 FPSOs implantadas entre2021 e 2025, além de quatro unidades adicionais para 2026-2027. “Nos últimos anos, a Petrobrasoptou por uma estratégia de FPSO baseada em arrendamento, reduzindo os requisitos de capitalinicial, mitigando a inflação de custos e preservando a flexibilidade de dividendos. Com ativosaltamente produtivos, como Búzios, a Petrobras continuará investindo em novos sistemas deprodução no curto prazo, mas as novas unidades agora serão de propriedade da empresa”, comentou.
A análise também pontua que a inflação aumentou o capex de alguns projetos offshore em 30-40% ecita como exemplo que Búzios 8 foi estimado em US$ 4,4 bilhões em agosto de 2021, mas agoraespera-se que custe US$ 5,7 bilhões. “Apesar do impacto limitado da inflação de custos naeconomia dos projetos, o maior desembolso inicialpara novos projetos, juntamente com o ciclo pesado de capex e o aumento das despesas de arrendamento(aproximadamente US$ 9,6 bilhões em 2026 contra US$ 7,9 bilhões em 2024 e US$ 6,3 bilhões em2023) continuarão a limitar a geração de fluxo de caixa e restringir a capacidade de dividendosno curto prazo particularmente se o Brent permanecer abaixo de US$ 60/barril por um períodoprolongado e/ou as margens de downstream se comprimirem”, avalia.
O banco também calcula que, se o preço do Brent ficar a US$ 62 por barril e a Petrobras alcançaruma produção doméstica de petróleo de aproximadamente 2,54 milhões de barris por dia para 2026,os dividendos ordinários continuarão acima do FCFE com os arrendamentos não sendo consideradosna fórmula de dividendos ordinários e com uma tendência de aproximadamente US$ 9 a 10 bilhõespor ano e continua a ver uma discrepância entre a política de dividendos e o FCFE em 2026-2027.
“A perspectiva financeira permanece restrita, considerando (i) um forte ciclo de investimentos entre2020 e 2027, (ii) a transição de um modelo baseado em arrendamento para um modelo com FPSOpróprio a partir de 2026 e (iii) potencial atividade de fusões e aquisições, juntamente com (iv)uma política de dividendos que não corresponde à geração real de FCFE da empresa”, comenta. “Defato, prevemos que a Petrobras destinará aproximadamente 60% de seu ebitda estimado para 2026 paraarrendamento, despesas financeiras e despesas de capital, o que limita a geração de FCFE, a menosque o preço do Brent e/ou a produção surpreendam positivamente”, conclui.
“Com o preço do Brent a US$ 62/barril em 2026, prevemos que a Petrobras apresentará um FCFE deaproximadamente US$ 6,5 bilhões (rendimento de FCFE de aproximadamente 8%), mas isso não ésuficiente para cobrir os aproximadamente US$ 7,6 bilhões (rendimento de dividendos deaproximadamente 10%), visto que a política de dividendos não leva em consideração as despesas dearrendamento. Estimamos que o Brent precisaria ter uma média de aproximadamente US$ 67,5/barril(contra os atuais US$ 62/barril) para que a Petrobras atingisse a neutralidade de fluxo de caixa em2026. Além disso, se o Brent cair para US$ 52/barril, esperamos que a diferença entre o FCFE e osdividendos aumente ainda mais (US$ 2,9 bilhões em FCFE contra US$ 6,0 bilhões em dividendos,conforme a fórmula).”
Embora acreditemos que a política de dividendos da Petrobras deva ser alinhada à geração de FCFEnovamente até 2028, a alavancagem contínua no curto prazo e o espaço limitado para surpresas noFCFE/dividendos restringem o potencial de uma reavaliação fundamental até 2026, a menos que osentimento mude significativamente em relação à situação macropolítica do Brasil.
Por volta de 11h37 (horário de Brasília), as ações da Petrobras na B3 operavam em altas de 0,97%em PETR3 ON, a R$ 34,22, e de 0,81% em PETR4 PN, a R$ 32,05.