Petróleo fecha em alta após Irã anunciar fechamento do estreito de Hormuz

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os preços do petróleo fecharam em alta de 4,7% nesta terça-feira (3) em meio à guerra no Irã e após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz para navegação. Os contratos futuros do Brent, referência global da commodity, fecharam em alta de US$ 3,66, ou 4,7%, a US$ 81,40 o barril, valor mais alto desde janeiro de 2025.

O petróleo chegou a ser negociado a US$ 85,10 por volta das 8h, alta de 9%, atingindo o maior valor desde 19 de julho de 2024. O Brent acumula alta de 12% desde o último sábado (28), quando começou a guerra no Irã.

Nesta terça, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou incendiar qualquer navio que tentar passar pelo trecho que separa o país persa da península Arábica. A decisão ameaça parar de vez o fluxo de petroleiros e embarcações que transportam por lá 20% do óleo e do gás natural liquefeito consumidos diariamente pelo mundo. O destino da maior parte desse volume são grandes consumidores asiáticos, como China e Índia. A largura do estreito é de meros 40 km em seu ponto mais apertado.

Os preços do petróleo fecharam em alta de 4,7% nesta terça-feira (3) em meio à guerra no Irã e após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz para navegação. Os contratos futuros do Brent, referência global da commodity, fecharam em alta de US$ 3,66, ou 4,7%, a US$ 81,40 o barril, valor mais alto desde janeiro de 2025.

O petróleo chegou a ser negociado a US$ 85,10 por volta das 8h, alta de 9%, atingindo o maior valor desde 19 de julho de 2024. O Brent acumula alta de 12% desde o último sábado (28), quando começou a guerra no Irã.

Nesta terça, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou incendiar qualquer navio que tentar passar pelo trecho que separa o país persa da península Arábica. A decisão ameaça parar de vez o fluxo de petroleiros e embarcações que transportam por lá 20% do óleo e do gás natural liquefeito consumidos diariamente pelo mundo. O destino da maior parte desse volume são grandes consumidores asiáticos, como China e Índia. A largura do estreito é de meros 40 km em seu ponto mais apertado.

Especialistas já contam com muita volatilidade nas cotações internacionais, mas há expectativa de que o preço do barril seja contido pela sobra de óleo no mundo, resultado de a demanda crescer menos que a oferta.

O gigante petrolífero saudita Aramco informou a alguns compradores de seu petróleo bruto Arab Light que desviará a carga para Yanbu, na costa ocidental do Mar Vermelho, disseram três fontes nesta terça-feira, o que permitiria evitar o estreito de Hormuz devido a ataques a embarcações. A Aramco se recusou a comentar.

O ministro da Marinha Mercante da Grécia pediu proteção do transporte marítimo global e dos marinheiros. “Isso é alarmante e preocupante, e eu gostaria que o transporte marítimo global ficasse de fora dos conflitos de guerra”, comentou Vassilis Kikilias.

“O transporte marítimo global tem a ver com o comércio global, do qual todos precisam. E os marinheiros, é claro, não têm culpa”, disse o ministro grego.

A IMPORTÂNCIA DE HORMUZ

O tráfego pelo estreito de Hormuz vem sendo afetado desde sábado (28), quando começaram os ataques dos EUA e de Israel sobre o Irã, que respondeu em seguida. Nesta terça, um tanque de combustível no porto comercial de Duqm, em Omã, foi atingido, e um incêndio eclodiu em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, um dos principais polos petrolíferos da região.

A QatarEnergy, estatal de energia do Qatar, anunciou a interrupção da produção de alumínio, ureia, polímeros e metanol, um dia após ter suspenso o fornecimento de GNL (gás natural liquifeito), produto que detém 20% do consumo mundial.

A Arábia Saudita suspendeu a produção em sua maior refinaria doméstica, enquanto Israel e o Curdistão iraquiano também interromperam parte de sua produção de gás e petróleo.

A Índia, um dos países mais dependentes de petróleo e gás do Oriente Médio, afirmou que começou a racionar o fornecimento de gás para indústrias após a interrupção da produção do Qatar.

A maior parte do GNL qatariano vai para a Ásia, mas parte também segue para a Europa, que depende inteiramente de importações para suas necessidades de petróleo e gás. Espera-se que a Europa corra para repor estoques, esgotados por um inverno rigoroso, e precisará depender ainda mais do gás americano, após rejeitar o gás russo depois da invasão da Ucrânia em 2022.

As taxas de frete marítimo ao redor do mundo também dispararam para um recorde histórico à medida que o conflito se intensificou e Teerã passou a atacar navios que atravessam o estreito.

O fechamento do estreito de Hormuz fez com que centenas de navios-tanque carregados com petróleo e GNL ficassem encalhados perto de grandes polos, como o porto de Fujairah nos Emirados Árabes Unidos, sem conseguir alcançar clientes na Ásia, Europa e outros lugares.

A situação levará Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã a começar a cortar a produção de petróleo em questão de dias, a menos que consigam encontrar novos navios-tanque para transportar o petróleo que continua sendo extraído do subsolo.

BOLSAS DESABAM PELO MUNDO

A ameaça de Teerã de fechar o estreito de Hormuz levou as Bolsas de todo mundo a despencarem nesta terça. Na Ásia, as Bolsas da China tiveram o pior resultado diário em um mês, enquanto o índice de Seul despencou mais de 7%.

O índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, e o índice SSEC, de Xangai, desvalorizou 1,43%. Foi o pior resultado das duas desde 2 de fevereiro.

O índice ChiNext Composite, que reúne startups, caiu 2,57%. O índice STAR50 de Xangai, focado no setor de tecnologia, caiu 5,21%, registrando a pior sessão desde 10 de outubro.

Os mercados de outros países asiáticos também fecharam em queda: Tóquio (-3,1%), Seul (-7,24%), Hong Kong (-1,12%) e Taiwan (-2,2%).

Na Europa, as principais Bolsas caíram mais de 3% nesta terça. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em baixa de 3,64%, no maior recuo desde abril do ano passado.

Na época, a Bolsa europeia registrou quedas diárias de mais de 4% em função do anúncio das tarifas comerciais de Donald Trump.

O movimento de queda também foi observado nas Bolsas de Frankfurt (-3,59%), Londres (-2,75%), Paris (-3,46%), Madri (-4,57%) e Milão (-3,92%).

“É venda por pânico”, disse Emmanuel Cau, chefe de estratégia de ações europeias do Barclays. “O mercado estava complacente quanto à escala desta guerra [antes do fim de semana].”

As Bolsas dos EUA também tiveram quedas acentuadas. A Bolsa Nasdaq caiu 1,02%, enquanto o Dow Jones desvalorizou 0,83% e o S&P 500 recuou 0,94%.

Mesmo o ouro, considerado um porto seguro para investidores em momentos de risco, também operava em queda de 3,46% nesta terça-feira, cotado a US$ 5.127,76, às 17h. Já o bitcoin estava em queda de 1,21%.

Para analistas, o movimento é impactado pela ameaça iraniana e pela disparada do petróleo. “Muito dependerá do preço do petróleo. Qualquer pico sustentado certamente desencadeará um movimento de aversão ao risco mais significativo”, comentou Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank.

Os investidores estavam preocupados que os preços mais altos do petróleo pudessem alimentar a inflação em toda a economia e complicar ainda mais as decisões de política monetária para autoridades de bancos centrais que já enfrentam aumentos de preços impulsionados por tarifas.

O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos atingiu seu nível mais alto em mais de uma semana, e investidores adiaram as expectativas de um corte de 25 pontos-base na taxa de juros pelo Federal Reserve de julho para setembro, segundo dados compilados pela LSEG.

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