SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após dois dias de forte oscilação, o preço do petróleo começou a sessão de quarta-feira (11) em queda, reverteu a tendência e, apesar de diminuir a alta em alguns momentos do dia, manteve a valorização em relação ao fechamento de terça-feira (10).
O barril Brent, referência mundial, encerrou o dia com alta de 6,74%, cotado a US$ 93,72.
Nos mercados, houve oscilações positivas e negativas. Enquanto as Bolsas da Ásia fecharam em alta, os principais índices da Europa e dos EUA fecharam em queda, assim como o ouro.
O Brent começou o dia em queda e chegou a perder 1,72%. Aos poucos, passou a subir com a divulgação de novos ataques do Irã a navios-petroleiros e a ameaça de bombardeiros a bancos e outros setores econômicos de EUA e Israel.
Os altos e baixos desta quarta ocorreram após um dia de forte queda na véspera, quando o petróleo chegou a desabar 18% e fechou a sessão com desvalorização de 11,3%, a US$ 87,80, maior perda diária desde março de 2022. Na segunda, o movimento foi justamente o contrário com o valor do barril chegando a disparar 28%, alcançando US$ 119,46, mas passou a cair na sessão e fechou a US$ 89,79.
O barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também começou em queda nesta quarta, chegou a subir 6,5% e no fechamento do dia estava cotado a US$ 87,25, uma alta de 4,55%.
Na noite de terça, o jornal The Wall Street Journal divulgou que a AIE (Agência Internacional de Energia) aceitou liberar cerca de 300 milhões de barris de petróleo para reestabelecer o fornecimento no mundo, impactado pela paralisação do tráfego marítimo no estreito de Hormuz, que passa pelo litoral iraniano e é a rota de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
A agência anunciou na tarde desta quarta que foi aprovada a liberação de 400 milhões de barris de petróleo pelos 32 países-membros da entidade. O Brasil não integra a agência.
Em nota aos clientes, os analistas do Goldman Sachs disseram que a liberação de estoque deste porte seria suficiente para compensar 12 dias da interrupção das exportações do Golfo, estimada pelo banco de investimentos em 15,4 milhões de barris por dia.
Mas outros analistas mostraram-se céticos quanto à proposta da AIE e seu impacto sobre os preços do petróleo. “Movimentos como a liberação do SPR da AIE não são a solução para a crise. A evolução dos preços do petróleo dependerá da duração da guerra com o Irã”, afirmou Suvro Sarkar, líder da equipe do setor de energia do DBS.
Trump tem dito repetidamente que os EUA estão preparados para escoltar navios-tanque pelo estreito de Hormuz quando necessário. No entanto, fontes disseram que o movimento ainda não ocorreu.
BOLSAS DA ÁSIA SOBEM, MAS CAEM NA EUROPA E NOS EUA
A preocupação com o preço do petróleo impactou as negociações da Bolsa, que refletiu a variação. De madrugada (em Brasília), quando o movimento era de queda no preço do barril, as principais Bolsas da Ásia fecharam em alta, com destaque para Seul, que ganhou 1,4%, mesma variação em Tóquio. O índice SSEC, em Xangai, subiu 0,25%.
Porém, de manhã, quando o petróleo subia, as Bolsas da Europa passaram a cair. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em queda de 0,70%. Outras Bolsas europeias também desvalorizaram como Frankfurt (-1,59%), Londres (-0,56%), Paris (-0,19%), Madri (-0,53%) e Milão (-0,95%).
As Bolsas dos EUA registraram um dia de volatilidade e fecharam a sessão em baixa, com Dow Jones caindo 0,61% e S&P 500 perdendo 0,09%. O índice Nasdaq, de tecnologia, fechou o dia com leve alta de 0,08%.
O ouro, por sua vez, fechou em queda de 1,11%, cotado a US$ 5.183,90 (R$ 26,7 mil).