Pinheiros tem muitas atrações e metro quadrado nas alturas

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – É preciso mais do que ocorrências policiais para tirar do distrito de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, o título quase indisputado de melhor lugar da cidade.

Na mesma rua Joaquim Antunes que contabilizou em 2025 uma morte por latrocínio e diversos assaltos à mão armada fica a Frida e Mina, eleita melhor sorveteria paulistana na última edição de O Melhor de São Paulo, prêmio anual do Guia da Folha de S. Paulo.

A quatro quarteirões de lá, que podem ser percorridos a pé ou por ciclovia, está um dos cinemas de rua mais bacanas da capital, a Cinesala, também premiado em O Melhor de São Paulo; e a partir daí pode-se escolher ir ao melhor restaurante italiano, o Nelita, ou ao campeão da comida brasileira, o Clandestina, vizinho do Quincho, melhor vegetariano, estes dois já na Vila Madalena, parte integrante do distrito.

A lista dos mais-mais é interminável, e o parágrafo anterior poderia conter, por exemplo, izakayas ou casas especializadas em lamen; galerias de arte contemporânea ou livrarias com bons cafés. O distrito de Pinheiros tem de tudo: de estações de metrô a cemitério com jazigos da mais fina arte funerária; de mercado municipal a bar de vinho; de sebo descolado às casas pioneiras de cerveja artesanal da cidade; de padaria nascida em Ipanema ao melhor bartender da paulicéia.

Mas a distinção tem seu preço, e quem quiser viver imerso nela deve saber que o metro quadrado do distrito é o segundo mais caro da cidade, R$ 18.279, abaixo apenas do Itaim e seus R$ 19.454, segundo dados de fevereiro do índice FipeZap.

O número de transações imobiliárias chama atenção. Com base nos pagamentos do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis à prefeitura de São Paulo, houve alta de 29,2%, segundo a startup imobiliária Loft. A comparação é entre novembro de 2025 a janeiro de 2026 em comparação com o período anterior. “Pinheiros segue mostrando forte dinamismo no mercado imobiliário”, diz Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft. “Ainda mais quando comparado à média da cidade, que apresentou queda de 2,7% [para esse mesmo período].”

Quem passa pelo lado par da avenida Rebouças ou pela paralela rua dos Pinheiros, duas vias em transformação vertiginosa, tem a sensação de que não há mais espaço para arranha-céus na região, mas o distrito ainda está longe de sua conformação definitiva. Para João Paulo Laffront, diretor de incorporação da incorporadora e construtora Even, há diversas áreas ainda para exploração, como o Largo da Batata, onde a Even deve anunciar em breve novos projetos.

“Pinheiros é muito grande, e cada microrregião tem seus diferenciais, seja na divisa com os Jardins, seja na Vila Madalena”, disse à reportagem. Laffront reputa como “projeto mais importante da história de mais de 40 anos da Even” o Faena São Paulo, “condo” que a empresa deve entregar até o fim da década na avenida Eusébio Matoso.

O produto, cujas unidades são vendidas hoje a cerca de R$ 60 mil o metro quadrado, contará com o primeiro hotel Faena paulistano, grife luxuosa há anos presente em Miami e Buenos Aires. Laffront diz que Alan Faena, criador da marca, não tinha planos para o Brasil, e fazê-la aterrissar em São Paulo demandou algumas viagens e bom tempo de convencimento.

A Even também ergue na rua Harmonia, coração da Vila Madalena, o Casa Madalena, que é, como tantos outros projetos surgidos com a flexibilização da Lei de Zoneamento, um “combo” de apartamentos de alto padrão e estúdios. Ele destaca dois diferenciais do produto, a vista digna das “alturas do espigão da Paulista” e a quadra oficial de tênis de grama sintética, superfície que pode ser removida, se os condôminos assim o desejarem, por piso duro.

Em alta no mercado residencial, Pinheiros também vive um renascimento no corporativo, principalmente no eixo da avenida Rebouças, onde já estava o Nubank, neste ano instalou-se a nova sede da Netflix e futuramente será morada de grifes hospitalares. O distrito tem aquilo que os urbanistas veem como a fórmula ideal para as áreas centrais das metrópoles brasileiras, a combinação dos usos comercial e residencial, garantindo movimento e vidas diurna e noturna.

O oftalmologista e restaurateur Renato Neves usufrui desses dois lados do distrito. Ele mudou recentemente sua clínica Eye Care de uma casa espaçosa e vistosa na avenida Brasil para um conjunto comercial em edifício na rua dos Pinheiros. A clientela aumentou, na esteira das facilidades de acesso -a estação Fradique Coutinho da Linha 4 do metrô está a passos dali-, que também impactou positivamente na satisfação dos funcionários.

Neves também está feliz com o desempenho de seu Mila, restaurante informal cuja casa na rua dos Pinheiros se destaca em relação aos tempos da finada encarnação do Itaim, tanto no recém-lançado almoço executivo quanto no jantar, “quando pessoas de muitas outras regiões vêm aqui”.

“Pinheiros é cada vez mais visto como um destino em si”, diz.

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