SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Depois de fechar acima de US$ 100 pela primeira vez desde julho de 2022, o preço do petróleo está oscilando nesta sexta-feira (13). O barril Brent, referência mundial, chegou a ser vendido a US$ 102,73 às 5h (horário de Brasília), chegou a cair a US$ 97,72 (R$ 511,43), mas voltou a subir e superar a casa dos US$ 100, com alta de 1,61%, a US$ 102,06 (R$ 534,14), às 15h50.
O barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também subia 1,82%, cotado a US$ 97,55 (R$ 510,54). Já as Bolsas da Ásia e da Europa fecharam em queda, movimento refletido nos principais índices dos EUA.
A oscilação no preço do petróleo mesmo após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que os EUA escoltarão embarcações pelo estreito de Hormuz se for necessário. O país anunciou também que realizará o maior ataque ao Irã nesta sexta, de acordo com o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Trump disse que espera que os esforços de guerra liderados pelos EUA sejam bem-sucedidos, prometendo em atacar o Irã “com muita força na próxima semana”.
No dia anterior, o Irã prometeu atacar mais recursos petrolíferos no Oriente Médio e seguir bloqueando o estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Além disso, foram registrados, nesta sexta-feira, ataques a instalações no distrito financeiro de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, como havia prometido pela Guarda Revolucionária do Irã no começo da semana.
Com os países do Golfo reduzindo a produção e navios-petroleiros bloqueados na região, os preços de referência do petróleo subiram entre 40% e 50% desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, o que ameaça frear o crescimento econômico e alimentar a inflação.
A AIE (Agência Internacional de Energia) advertiu que a guerra no Oriente Médio pode provocar “a maior interrupção do abastecimento” da história do setor, e que cerca de 10 milhões de barris de petróleo deixaram de ser produzidos por dia desde o início do confronto.
“A estratégia iraniana de desorganizar o mercado de energia se confirma, com o fechamento de fato do estreito de Hormuz há duas semanas e ataques a petroleiros no golfo Pérsico e a portos de Omã além do estreito”, avaliou Xavier Chapard, estrategista da LBPAM.
Para o analista Chris Weston, da Pepperstone, o mercado acredita que o conflito deve se estender e que o fornecimento do petróleo continuará afetado pela restrição ao tráfego no estreito de Hormuz. “Com o petróleo fechando perto de suas máximas, os mercados estão cada vez mais precificando uma duração maior do conflito e o impacto contínuo de um possível fechamento do estreito de Ormuz”, disse.
BOLSAS CAEM NA ÁSIA, MAS SOBEM NA EUROPA
A situação levou os investidores a fugirem de ativos de risco, o que gerou mais um dia de quedas nas Bolsas da Ásia, mas a declaração de Trump passou a mudar o cenário na Europa e nos EUA, que operavam em alta depois da entrevista do republicano.
Nas primeiras horas, as principais Bolsas da Europa registravam queda, assim como o pré-mercado nos EUA. A partir das 9h30, a tendência mudou e elas passaram a ter alta, mas no início da tarde o movimento reverteu para queda.
O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em baixa de 0,13%. O movimento foi seguido em Frankfurt (-0,65%), Londres (-0,43%), Paris (-0,91%), Madri (-0,47%) e Milão (-0,31%).
Nos EUA, a Dow Jones destoava e subia 0,09%, às 15h50, mas Nasdaq e S&P 500 caíam 0,64% e 0,25%, respectivamente.
As Bolsas da Ásia também tiveram um dia de perdas. Na China, o índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, desvalorizou 0,39%, enquanto o SSEC, em Xangai, registrou perda de 0,82%.
Em Tóquio, o índice Nikkei fechou em queda de 1,16%. Em Seul, o índice Kospi recuou 1,72%. Taiwan perdeu 0,54% e o índice Hang Seng de Hong Kong caiu 1,11%.
Considerado um porto seguro para investidores, o ouro tinha queda de 1,50%, cotado a US$ 5.048,66 (R$ 26,42 mil).