SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo voltou a disparar nesta sexta-feira (6) e está perto de ultrapassar os US$ 90 com o receio do mercado sobre o fornecimento do produto devido aos confrontos no Oriente Médio, que já duram sete dias.
Nesta sexta-feira, o contrato para abril do barril Brent, referência mundial, chegou a US$ 89,49 às 9h (horário de Brasília), atingindo o seu maior valor durante a sessão desde 26 de abril de 2024, quando foi a US$ 89,83. Em relação ao fechamento de quinta-feira, a alta é de 4,7%.
O barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, subiu ainda mais, cerca de 6,5%, e chegou a US$ 86,57, às 9h15.
A disparada do petróleo nos últimos dois dias é resultado do temor dos investidores com o fornecimento, já que os navios-petroleiros não estão passando pelo estreito de Hormuz, que passa pelo litoral do Irã e é a via por onde escoa 20% da produção mundial.
As embarcações estão ancoradas em portos próximos ao golfo Pérsico e as principais companhias de transporte marítimo não estão realizando o trajeto, já que os navios vêm sendo alvo de bombardeios dos iranianos, que estão retaliando os ataques vindos dos EUA e de Israel.
O ministro de Energia do Qatar, Saad Al-Kaabi, afirmou em entrevista ao jornal Financial Times que teme que a produção energética nos países do golfo Pérsico seja paralisada dentro de alguns dias e que o preço do petróleo pode atingir até US$ 150.
Nesta semana, a QatarEnergy, principal estatal do país no setor, anunciou a interrupção da produção de GNL (gás natural liquefeito), o que levou o preço dos contratos a quase dobrarem em dois dias, e também de outros produtos como ureia, alumínio, polímeros e metanol.
“O alerta do ministro de Energia do Catar de que um conflito prolongado poderia derrubar economias ao redor do mundo abalou novamente os mercados financeiros”, disse Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos da Wealth Club.
“Vimos um grande choque nos mercados… há mais por vir, caso os preços do petróleo subam ainda mais”, disse James Lord, chefe global de estratégia de câmbio e mercados emergentes do Morgan Stanley.
As principais Bolsas da Ásia fecharam em alta nesta sexta, mas as da Europa e as dos EUA estão em queda. Na China, o índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,27% e o índice SSEC, de Xangai, valorizou 0,38%.
A Bolsa de Tóquio fechou a sexta com avanço de 0,6%, e a de Seul oscilou 0,02% para cima, após registrar na quarta-feira o seu pior dia na história, desabando mais de 12%. Na semana, porém, as quatro Bolsas registraram perdas entre 1% e 3%.
Já na Europa, a tendência é o contrário, com os principais mercados registrando queda nesta sexta. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, tinha perda de 1,07%, às 8h55 (horário de Brasília), sendo seguido pelos índices em Frankfurt (-0,68%), Londres (-0,56%), Paris (-0,96%), Madri (-1,05%) e Milão (-1,01%). No dia anterior, elas também tiveram perdas entre 2% e 3%.
Nos EUA, as três maiores Bolsas também estão em baixa, antes da abertura do mercado. Às 7h15, a Nasdaq registrava perda de 0,41%, a Dow Jones, de 0,27%, e a S&P 500, de 0,34%.
Considerado porto seguro dos investidores em momentos de risco, o ouro chegou a cair quase 1%, mas estava em uma leve alta de 0,07%, cotado a US$ 5.080,26, às 9h05.