Preços do petróleo e ouro despencam, e Bolsa de Seul cai mais de 5% após indicação de presidente do Fed

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O mercado financeiro enfrenta um dia de fortes quedas nos preços de commodities e também nas Bolsas da Ásia nesta segunda-feira (2). Segundo analistas, o movimento é uma consequência do anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de indicar Kevin Warsh para a presidência do Fed (Federal Reserve).

Warsh é visto como um defensor da postura “hawkish” (agressiva no combate à inflação e defensor de juros altos), que vai na contramão do que vem defendendo Trump, que exige a redução dos juros para 1%. Atualmente, a taxa está entre 3,5% e 3,75%. O indicado deve assumir o cargo em maio, quando acaba o mandato de Jerome Powell.

A indicação de Warsh, que ainda deve ser aprovada pelo Senado, levou os investidores a venderem ativos em massa, o que resultou em queda brusca nos preços do petróleo, ouro e prata.

Os metais preciosos foram os mais impactados. O ouro chegou a despencar 10% e a prata, 15%, após sucessivos recordes na última semana. Depois da indicação de Warsh, porém, os preços de ambos já caíram na sexta-feira (30) e continuaram na curva descendente.

O ouro chegou a ser vendido a US$ 4.424,69 nesta segunda-feira, após ter fechado a US$ 4.763,10 na sexta. Na quinta-feira (29), o metal precioso atingiu US$ 5.594,82, seu maior valor histórico durante o dia. A prata, que chegou a valer US$ 118,70 na quinta, era vendida a US$ 71,20 nas primeiras horas desta segunda-feira.

Porém, ao longo da sessão desta segunda, a situação foi revertida. Às 9h30 (horário de Brasília), o ouro tinha valorização de 1,22%, cotado a US$ 4.800, e a prata subia 6,68%, a US$ 83,73.

Apesar de ser considerado um “porto seguro” para investidores, o ouro e a prata passaram a ser vendidos após o CME (local onde os metais são vendidos em Chicago) anunciar aumentos nas margens de seus futuros de metais preciosos na sexta-feira, que entrarão em vigor após o fechamento do mercado nesta segunda-feira.

“O aumento nos requisitos de margem torna menos atraente manter posições especulativas agora, e isso também pressionará muito o lado varejista do mercado, que não tem liquidez extra para vender posições”, comentou Zain Vawda, analista da MarketPulse by OANDA.

Outro commodity afetado foi o petróleo, que chegou a despencar mais de 5% nesta manhã, com o barril Brent, referência mundial, sendo vendido a US$ 65,46. Posteriormente, a desvalorização foi reduzida a 4,5% às 9h30. Já o barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, caiu 5,1%, a US$ 61,80.

“A decisão dos mercados de vender metais preciosos juntamente com ações norte-americanas sugere que os investidores consideram Warsh mais hawkish”, afirmou Vivek Dhar, estrategista de commodities do CBA (Commonwealth Bank of Australia).

Uma postura “hawkish” do Fed sinaliza que as taxas de juros permanecerão mais altas por mais tempo, apoiando o dólar e aumentando o custo de oportunidade do ouro e da prata, diminuindo seu apelo.

“Um dólar norte-americano mais forte também está adicionando pressão sobre os metais preciosos e outras commodities, incluindo petróleo e metais básicos”, acrescentou Dhar, que mantém a previsão de preço do ouro em US$ 6.000 no quarto trimestre.

As ações também enfrentaram uma segunda-feira de forte queda na Ásia, com o pior desempenho ocorrendo em Seul, com o índice Kospi tendo desvalorização de 5,26%, a 4.949 pontos.

As ações de Xangai registraram a maior queda em quase 10 meses, com uma queda de 2,5%, enquanto a Bolsa desabou 2,2%, com o pior desempenho desde novembro.

O apetite pelo risco também foi prejudicado pelos dados decepcionantes da atividade industrial da China e pela deterioração do crescimento da receita fiscal.

O presidente do Shenzhen Dragon Pacific Capital Management Co, Charles Wang, avaliou também que havia uma supervalorização dos commodities. “[Os preços do ouro] estavam em níveis especulativos e inflacionados”, afirmou.

Voltar ao topo