Premiê da Austrália anuncia investigação nacional sobre antissemitismo após ataque terrorista em Sydney

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Três semanas após o atentado na Austrália que matou 15 pessoas, o governo do país determinou o início de uma investigação nacional sobre o antissemismo, além da abertura de uma comissão para investigar o ataque ocorrido durante a celebração judaica de Hanukkah, na praia de Bondi, em Sydney.

O anúncio foi feito na quinta-feira (7) pelo primeiro-ministro Anthony Albanese, que descreveu o processo como a investigação pública mais importante da Austrália.

O ataque, ocorrido em 14 de dezembro, chocou o país, conhecido pelas leis rígidas de controle de armas, e reacendeu debates sobre a necessidade de medidas ainda mais duras contra a violência armada e de ações mais firmes no combate ao antissemitismo. Segundo a polícia, os autores da ação, pai e filho, teriam sido inspirados pelo grupo terrorista Estado Islâmico.

A comissão será presidida pela juíza aposentada Virginia Bell e terá poderes para convocar testemunhas e obrigar pessoas a prestar depoimento. O escopo da investigação incluirá não apenas os acontecimentos que levaram ao ataque, mas também questões mais amplas relacionadas ao antissemitismo e à coesão social na Austrália. A expectativa é que o relatório final seja apresentado até dezembro deste ano.

“Essa comissão tem o formato certo, com a duração adequada e os termos de referência corretos para entregar o resultado certo para a nossa unidade nacional e nossa segurança nacional”, afirmou Albanese em entrevista coletiva.

O primeiro-ministro havia, em um primeiro momento, resistido à criação de uma comissão, argumentando que o processo poderia se arrastar por anos. A posição gerou críticas de grupos judaicos e de familiares das vítimas, que pressionaram o governo a rever a decisão.

Albanese afirmou que mudou de posicionamento após um período de reflexão e de encontros com líderes da comunidade judaica e, sobretudo, com familiares de vítimas e sobreviventes do ataque.

“Eu reservei um tempo para refletir, para me reunir com líderes da comunidade judaica e, mais importante, para conversar com muitas das famílias das vítimas e dos sobreviventes desse ataque horrível”, disse.

No mês passado, o governo já havia anunciado uma revisão independente sobre a atuação das agências de segurança e aplicação da lei, com o objetivo de avaliar se as autoridades poderiam ter tomado medidas adicionais para evitar o ataque. Essa revisão analisaria se lacunas legais ou falhas no compartilhamento de informações impediram uma ação preventiva contra os suspeitos.

Segundo Albanese, essa apuração agora será incorporada à comissão que será instaurada. O relatório preliminar dessa análise está previsto para ser apresentado em abril.

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