Presidente discursa em cerimônia em defesa da democracia

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São Paulo, 8 de janeiro de 2026 – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,participou, nesta quinta-feira (8/1), da cerimônia relativa aos atos antidemocráticos de 8 dejaneiro. O evento, promovido no Salão Nobre do Palácio do Planalto, também teve a participaçãode diversas autoridades e de representantes da sociedade civil, e teve uma caminhada das autoridadespela área externa. O presidente encerrou o ato com a assinatura do veto integral ao projeto de leida Dosimetria, aprovado pelo Congresso e que iria beneficiar os réus condenados pelo STF pelos atosgolpistas.

“A democracia exige que a gente fale pouco e ouça muito. É muito melhor ouvir do que ficarpensando sozinho e fazer as coisas”, disse Lula, no início do discurso.

“Hoje é um dia de comemorar a manutenção do estado de direito e as políticas de inclusãosocial. Muitas vezes há uma disputa de teses e a imprensa diz que há uma guerra entre poderes”,prosseguiu.

O presidente também aproveitou para destacar a relação entre o seu governo e o Congresso,minimizando os conflitos que marcaram a atual gestão, também marcada pelo crescente pagamento deemendas aos parlamentares. “Mesmo com minoria no Congresso, conseguimos aprovar muitas coisas.”

Em relação ao julgamento dos atos golpistas pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais de 800 acusados, Lula disse que “o Brasil e opovo brasileiro venceu”.

“A tentativa de golpe veio nos lembrar que a democracia não é uma conquista inabalável. Elaprecisa ser defendida com unhas e dentes, dia após dia. Nós não aceitamos nem ditadura civil, nemmilitar. Viva a democracia brasileira”, disse.

Em seu discurso antes do presidente, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria,Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, parabenizou Lula por ações em defesa da democraciae citou diversas frases, como a de que “homens e mulheres podem ser à direita ou esquerda, o que osdiferencia é quem é a favor da democracia”, segundo ele, dita pelo ex-governador de São Paulo(SP), Mário Covas.

“Aqueles que cometeram crime devem sofrer o rigor da Justiça e o peso da história”, discursou.”Por isso, quero saudá-lo, presidente, e a todos que fortaleceram nossa democracia.”

Realizada anualmente, a cerimônia tem por objetivo reforçar os valores da democracia, que sofreuabalo nessa data, em 2023.

Há três anos, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, exigindo um golpe militar,invadiram e depredaram prédios dos poderes na capital federal. O movimento começou logo após adivulgação do resultado das eleições de 2022, no intuito de impedir que o presidente eleito(Lula) assumisse o cargo.

Houve fechamento de rodovias e acampamentos foram montados em frente a quartéis de diversas cidadesdo país. Também marcaram o período de escalada de atos a implantação de uma bomba próxima aoAeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão da sede da PolíciaFederal, também em Brasília.

Em setembro do ano passado, por 4 votos a 1, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF)condenou Bolsonaro e sete aliados na ação penal da trama golpista. A condenação inédita de umex-presidente da República por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do EstadoDemocrático de Direito repercutiu na imprensa internacional.

Após os atos golpistas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou 1.734 ações penais noSTF.

Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)

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