BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, pretende se reunir com deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal nos próximos dias para explicar a situação do banco e discutir, de forma conjunta, uma eventual necessidade de aporte.
A expectativa é de que Nelson apresente aos parlamentares alguma estimativa do impacto causado pelo envolvimento do BRB com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, além das medidas em curso, como a investigação independente.
A reunião tem sido articulada junto ao governo Ibaneis Rocha (MDB), uma vez que os deputados deverão aprovar parte das soluções que estão hoje à mesa, como um empréstimo do BRB com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) com garantias do Distrito Federal.
Desde a operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que levou à liquidação do Master, à prisão de Vorcaro e ao afastamento do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o banco regional de Brasília evita falar em números.
Em depoimento à PF no STF (Supremo Tribunal Federal) em 30 de dezembro, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que o BRB deve ter um rombo de ao menos R$ 5 bilhões.
Como mostrou a Folha, o BC já exigiu que o BRB faça um provisionamento (reserva financeira) de R$ 2,6 bilhões para fazer frente a eventuais perdas com a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras fraudulentas de crédito do Master.
Ibaneis conta com o apoio da ampla maioria dos deputados distritais. De forma reservada, dois integrantes do grupo dizem querer esperar o avanço das investigações. Governistas também aguardam um encontro presencial, possivelmente na próxima semana, para que o governador possa explicar o que pretende fazer.
A abertura do ano legislativo nesta terça-feira (3) foi marcada pela ausência do governador e por protestos da oposição, principalmente diante da nova informação de que a PF abriu um inquérito na sexta (30) para apurar possível gestão fraudulenta do BRB.
Ibaneis não foi à sessão para a leitura da tradicional mensagem do governo nem mandou representante. O secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, entregaria a mensagem em nome do governador, mas avisou aos deputados distritais que faltaria à sessão. Procurado, Rocha disse que teve um conflito de agenda.
O governador ignorou a crise que envolve o BRB e o Master na mensagem enviada à Câmara Legislativa. No texto, Ibaneis menciona o BRB de forma positiva, dizendo que o banco “reforçou seu compromisso com o desenvolvimento econômico e social do DF”.
O governo cita a reinauguração do Autódromo Internacional de Brasília, cuja gestão foi entregue ao BRB, além da operacionalização de programas sociais, como cartões para a compra de material escolar e gás de cozinha.
Para justificar a ausência de Ibaneis, o presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), que integra a base governista, afirmou que “o momento é delicado” e que a sessão seria destinada somente aos parlamentares para que todos pudessem se manifestar livremente, sem “constranger ninguém do governo”.
A robusta base de apoio de Ibaneis ficou em silêncio durante a sessão enquanto a oposição se revezava na tribuna com ataques ao emedebista pela tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.
“Não adianta o senhor dizer agora que não sabia. Porque até eu que não sei nada de sistema financeiro, com investimento baixo, conservador, dizia que tinha alguma coisa errada”, disse o deputado distrital Max Maciel (PSOL).
O deputado distrital Chico Vigilante (PT) questionou como será pago o rombo no BRB. Chico também criticou a ausência de Ibaneis e ressaltou que representantes do governo local tradicionalmente participam da reabertura.
“Eu estou achando muito estranho que não tenha comparecido ninguém hoje para representar o governo na reabertura dos trabalhos na Câmara Legislativa. Acho uma descortesia com a Câmara Legislativa”, disse Chico.
Parlamentares afirmam que a solução para o BRB não parece fácil. Nem mesmo a base de Ibaneis diz concordar com alguma medida que envolva a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), empresa que tampouco tem ações na Bolsa de Valores.
Deputados dizem que a parte mais rentável da CEB (Companhia Energética de Brasília) já foi privatizada em 2020 -tornou-se a empresa Neonergia- e que resta apenas a CEB Ipes, estatal de iluminação pública. Além disso, a criação de um fundo imobiliário com terrenos do Distrito Federal é vista como uma solução demorada, incompatível com a urgência que o problema demanda.