BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Presidente do Republicanos, o deputado Marcos Pereira (SP) pediu desculpas, em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (2), por ter dito que “ócio demais faz mal”, ao comentar a proposta de acabar com a escala 6×1.
“Meu ponto era falar sobre o impacto econômico, portanto, peço desculpas por isso. Todo trabalhador merece descanso, respeito e tempo com a família”, disse, no vídeo. “Eu usei palavras inadequadas, confesso aqui e reconheço que as minhas frases soaram desrespeitosas aos trabalhadores brasileiros”, segue ele na gravação.
Pereira afirma ainda que já trabalhou como vendedor de picolé, engraxate e no escritório de contabilidade do tio, e que sempre acreditou “que o trabalho dignifica e abre caminhos”.
Em entrevista à Folha de S. Paulo na semana passada, Pereira afirmou que levou as preocupações quanto à redução da jornada ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), seu aliado. Para ele, a redução vai tirar a competitividade das empresas brasileiras e “quanto mais trabalho, mais prosperidade”. Ele diz que, se as pessoas “tivessem condições de fazer lazer”, a demanda seria válida, mas “o povo não tem dinheiro, infelizmente”.
“Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”, questionou na ocasião, dizendo que muitas pessoas não usariam o tempo a mais livre para ficarem com suas famílias. “Eu acho que a sociedade brasileira, infelizmente, não é assim”, disse.
No vídeo publicado nesta segunda, o presidente do Republicanos afirma que falou e errou. “Ouvi as críticas com serenidade. Refleti. E agora estou aqui para pedir desculpas”, escreve na postagem.
“Mudanças precisam ser feitas com responsabilidade para não colocar esses postos de trabalho em risco”, afirmou na gravação.
Na semana passada, Pereira disse que discorda de votar o tema em ano eleitoral e ouviu de Motta que ele pautou a PEC porque o governo Lula (PT) insistiria com um projeto de lei, e por isso decidiu trazer o protagonismo à Câmara.
Ele diz defender melhorias para os trabalhadores, mas pontua os impactos econômicos e diz que “o Brasil precisa melhorar a vida de quem trabalha com equilíbrio, diálogo e visão de futuro” e que sua experiência como ministro da Indústria e Comércio no governo Temer (MDB) mostrou que 90% das empresas no Brasil são micro e pequenas e que sustentam a maior parte dos empregos.