Procuradoria pede afastamento de vice-governador do PT e acirra crise política no Maranhão

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SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) – O Ministério Público do Estado do Maranhão pediu o afastamento do cargo do vice-governador Felipe Camarão (PT) por suspeita de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras atípicas e crimes contra a administração pública.

O pedido de suspensão do exercício da função pública do vice-governador, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmado pela Folha, foi encaminhado ao Tribunal de Justiça do Maranhão pelo procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira.

Em nota, Felipe Camarão criticou o vazamento da investigação, disse que jamais teve acesso ao processo e destacou que não aceita “perseguição política travestida de atuação institucional”.

A investigação do Ministério Público aponta que o vice-governador teria utilizado parentes e policiais militares de sua segurança para captar R$ 6,3 milhões, além de outros R$ 4,7 milhões investidos em imóveis de luxo em São Luís.

A Procuradoria sustenta que Camarão teria se beneficiado de uma rede de laranjas para ocultar transferências milionárias. Os valores movimentados não têm origem em salário e seriam incompatíveis com a renda declarada pelo vice-governador.

O pedido de afastamento acontece nas vésperas do encerramento do prazo para descompatibilização dos cargos, que se encerra em 4 de abril. A retirada de Camarão da linha de sucessão poderia viabilizar a renúncia do governador Carlos Brandão (sem partido) para concorrer ao Senado.

Rompido com o vice, o governador tem dito que vai permanecer no governo até o final do mandato e lançou o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como candidato ao governo.

Camarão é remanescente do grupo político de Flávio Dino, ex-governador e hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Em 2022, ele havia selado um acordo com o governador no qual concorreria à sua sucessão, mas ambos se afastaram ao longo do mandato.

O vice-governador classificou a investigação como uma ação de “exposição seletiva e constrangimento público”. Também citou uma suposta proximidade do procurador-geral com Marcus Brandão, irmão do governador, pai de Orleans Brandão e figura influente nos bastidores do governo.

“Minha trajetória pública ilibada de 25 anos não será manchada por esse tipo de prática. O Maranhão não pode retroceder a um tempo em que instituições eram aparelhadas para fins de pressão política”, afirmou.

Carlos Brandão foi vice de Flávio Dino, assumiu o governo em abril de 2022 e foi reeleito em outubro daquele ano. Ao longo do mandato, contudo, Brandão e Dino se distanciaram.

Ao ser nomeado ministro do STF, o ex-governador, que estava no PSB, teve que se afastar da política partidária, mas seus aliados seguiram com um grupo relativamente coeso. Parte deles passou a fazer oposição e disputar espaços com o grupo de Brandão.

A cisão rachou a base de Lula no estado. O presidente acelerou as tratativas para formar seu palanque no Maranhão, mas o esforço foi atropelado por um movimento da política local.

O PT no estado está dividido entre apoiar Felipe Camarão, Orleans Brandão ou uma possível candidatura do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD).

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