A boa notícia dos juros

Apesar dos efeitos positivos dos juros menores, estes deverão demorar alguns meses em se materializar

Redação DC
19/Jan/2017
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 A boa notícia dos juros

Embora vários indicadores disponíveis apontem para uma queda da atividade econômica maior do que a esperada durante o último trimestre do ano passado, 2017 já começou com duas excelentes notícias. 

Em primeiro lugar, a inflação oficial, medida pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) terminou 2016 com alta anual de 6,29%, abaixo do limite máximo de tolerância da meta de inflação (6,5%).

De posse dessa informação e da sinalização de que a continuidade da recessão econômica continuaria a exercer descompressão nos preços, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, em sua primeira reunião do ano, reduzir a taxa de juros básica (Selic) em 0,75 ponto percentual, surpreendendo a grande maioria dos analistas, que esperavam uma diminuição de 0,50 ponto percentual. 

Essa redução da taxa Selic, que muito provavelmente deverá continuar ao longo do ano, diminui o custo do crédito para famílias e empresas, que poderão, portanto, ter mais facilidade em renegociar suas dívidas, abrindo a possibilidade de futuros aumentos no consumo e no investimento produtivo, essenciais para a recuperação da atividade econômica.

Contudo, apesar dos efeitos positivos dos juros menores, estes deverão demorar alguns meses em se materializar, pois o valor das prestações financeiras que as famílias enfrentam também depende dos prazos de financiamento, que não costumam aumentar imediatamente. 

No caso da aquisição de máquinas e equipamentos, a grande capacidade ociosa atual e o tempo requerido para que as empresas se programem causarão demora na realização de novos empreendimentos.

Além disso, a recuperação efetiva do consumo e do investimento dependerá fortemente da retomada da confiança das  famílias e dos empresários, o que, por sua vez,será determinado fortemente pela evolução da política econômica.
 
Nesse sentido, será importante que o Governo persevere no ajuste fiscal, colocando ênfase na aprovação da reforma da Previdência e na recuperação das finanças estaduais e municipais, porém condicionando qualquer ajuda dada a estes entes subnacionais a medidas de saneamento capazes de restabelecer sua solvência.

Ao que tudo indica, a política econômica continuará na direção certa, mostrando disposição, inclusive, em iniciar outras reformas estruturais importantes, tais como a trabalhista e a tributária. Resta saber se o Presidente Temer contará com o apoio político necessário para viabilizar sua implementação.

LEIA MAIS NO BOLETIM DE CONJUNTURA DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO 

 

 

Boletim de Conjuntura ACSP Dezembro 2016 by diariodocomercio on Scribd

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