Agro, do pequeno ao grande, ganha com acordo Mercosul-UE
“Ao fortalecer a competitividade das nossas empresas e garantir segurança jurídica, estamos pavimentando um caminho onde a eficiência do campo brasileiro encontra o poder de consumo europeu”

A assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, concluída agora em janeiro após longos 25 anos de negociações, não é apenas um marco burocrático. É o nascimento de um dos maiores blocos comerciais do mundo. Em um cenário geopolítico global conflituoso, com um viés de isolacionismo, o tratado surge como um contraponto vital, ancorado nos princípios da democracia e na crença de que o diálogo e o livre-comércio ainda são os melhores caminhos para o desenvolvimento.
Estamos falando de um mercado de 718 milhões de pessoas, que movimenta quase 20% do PIB global. Para o Brasil, o movimento é estratégico: a UE já é o nosso segundo maior destino de exportações agropecuárias, com US$ 25 bilhões anuais. A liberalização tarifária é ambiciosa. O Mercosul zerará tarifas para 91% dos produtos europeus em 15 anos, garantindo acesso a máquinas e tecnologia que ampliarão nossa competitividade. Em contrapartida, a UE eliminará taxas para 92% das exportações do nosso bloco, um montante de aproximadamente US$ 61 bilhões.
Para o agronegócio, o horizonte é promissor, mas exige estratégia. Itens como carne bovina, frango e etanol terão cotas específicas e tarifas reduzidas dentro de volumes definidos. Já setores como café, laranja e frutas desfrutarão da eliminação total de tarifas em prazos variados. É uma vitória que alcança do pequeno ao grande produtor.
Entretanto, o acesso preferencial a uma economia de US$ 22 trilhões exige lição de casa. A internacionalização demanda planejamento rigoroso, em particular para o produtor e a agroindústria de pequeno porte. Não basta exportar a commodity in natura; a verdadeira oportunidade reside na agregação de valor. Transformar, por exemplo, frutas em geleias, sucos e polpas, aliando isso a certificações de orgânicos, Indicação Geográfica e rastreabilidade, é o que garantirá um posicionamento competitivo e sustentável. O mesmo vale para outros produtos.
Devemos, porém, estar atentos às salvaguardas: a UE poderá reintroduzir tarifas temporárias se as importações excederem limites que desestabilizem seus preços internos. Isso reforça que o acordo não é um cheque em branco.
O acordo Mercosul-UE é a prova de que o Brasil está pronto para jogar na primeira liga do comércio mundial. Ao fortalecer a competitividade das nossas empresas e garantir segurança jurídica, estamos pavimentando um caminho onde a eficiência do campo brasileiro encontra o poder de consumo europeu, gerando renda, emprego e, acima de tudo, modernidade para o nosso país.
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IMAGEM: Agência Brasil
