Guerra no Oriente Médio traz alertas para o produtor rural
“Em particular para o nosso agro, custos logísticos podem e provavelmente vão registrar alta”

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã inevitavelmente provoca impactos, que vão muito além da geopolítica, atingindo a economia mundial e, em maior ou menor grau, este ou aquele segmento.
Como as cadeias produtivas são globalizadas, de imediato, preços do petróleo e cotações do dólar já interferem nas tomadas de decisões. Que não seja pela oferta, mas pela interrupção de rotas comerciais, cenários inflacionários ganham força.
Em particular para o nosso agro, custos logísticos podem e provavelmente vão registrar alta, além de problemas, por exemplo, relacionados a insumos, sobretudo fertilizantes nitrogenados, umbilicalmente conectados ao petróleo.
Em 2025, o Oriente Médio foi a origem de 15,6% das importações brasileiras de fertilizantes. A falta de produto pode ser mais urgente para os segmentos de grãos, mas o balanço oferta/demanda eleva os custos para todos os produtores.
Cabe lembrar que o Irã é importante fornecedor de ureia para o Brasil, bem como grande importador de nosso milho. Do lado das exportações, o Oriente Médio avança como um mercado estratégico para o agro brasileiro.
No ano passado, foram US$ 12,4 bilhões exportados para a região - cerca de 7,5% do total, sendo que o Irã foi o nosso principal mercado: 29% da carne de frango, 22% do milho, 17% do açúcar e 6,5% da carne bovina.
Em síntese, de um lado, impactos na disponibilidade de fertilizantes e possível aumento de custos; do outro, impactos nas exportações em novos mercados estratégicos. Mais desdobramentos dependem agora da extensão de tempo e de alcance territorial da guerra.
**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**
IMAGEM: Eduardo Nicolau/AE
