As duas faces do dólar

A alta da moeda norte-americana, após a vitória de Trump, pode pressionar a inflação. Por outro lado, tornar as exportações brasileiras mais competitivas

Redação DC
19/Nov/2016
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As duas faces do dólar

Revertendo a tendência até então decrescente, a inesperada vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos gerou forte elevação da taxa de câmbio, mitigada por intervenções do Banco Central. 

Como o candidato republicano havia sinalizado aumentar gastos públicos e promover ampla redução de impostos, sua vitória passou a ser associada com expansão da despesa total daquela economia, provocando, conjuntamente com a quantidade expressiva de dinheiro existente, uma aceleração da inflação.

Seguindo o raciocínio do mercado, para conter esse impulso inflacionário, a autoridade monetária norte-americana (Federal Reserve) deveria reagir com aumentos mais rápidos e intensos da taxa de juros, compensando o crescimento inicial da despesa.

Os juros internacionais mais altos, por sua vez, reduziriam o ganho dos capitais que entram no Brasil para obter maior remuneração financeira, diminuindo a entrada de dólares, e, portanto, aumentando a taxa de câmbio.

A maior taxa de câmbio redundaria em maior custo de produção, o que poderia gerar pressões inflacionárias, atrasando a redução da taxa básica de juros (Selic) por parte do Banco Central, e, por conseguinte, a recuperação da atividade econômica. 

Isso foi exatamente o que vislumbraram os analistas de mercado, que no último Boletim Focus reduziram suas previsões para a redução da Selic e para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Contudo, existe outro aspecto que merece consideração. O maior valor do dólar, tenderia, por outro lado, a aumentar a competitividade da produção industrial e das
exportações, que poderiam se converter em “motores” alternativos da retomada do crescimento do PIB.

Na ausência de reformas estruturais, tais como a trabalhista, a tributária e a educacional, entre outras, que permitam reduzir o “custo Brasil”, diminuindo o custo de
produção das empresas nacionais, a evolução do câmbio passa a ser o fator determinante de suas vantagens competitivas em relação a suas rivais internacionais.

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Boletim de Conjuntura ACSP - Outubro 2016 by diariodocomercio on Scribd

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