Banco Central monitora falta de troco e estuda máquinas de moedas para o varejo

Com o avanço do Pix e dos cartões, cerca de 36% das moedas do país estão presas em cofrinhos. BC faz avaliação frequente da circulação do dinheiro em espécie no comércio e junto às associações comerciais para monitorar a disponibilidade de troco

Arthur Gebara Junior
24/Jun/2026
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Banco Central monitora falta de troco e estuda máquinas de moedas para o varejo

A relação da população brasileira com o dinheiro em espécie mudou de forma radical nos últimos anos. Para o segmento de maior poder aquisitivo,  as cédulas já vinham sendo substituídas pelo uso dos cartões de débito e crédito. No entanto, a partir de 2020, a expansão contínua do Pix provocou uma forte queda na circulação do papel-moeda, transformando o cenário do comércio nacional.

A verificação física e o controle do meio circulante são coordenados pelo Departamento do Meio Circulante (Mecir) — historicamente conhecido pela sigla interna Depla — do Banco Central. Embora a Casa da Moeda produza o dinheiro novo, a autoridade monetária também utiliza empresas de tecnologia parceiras, como a alemã Giesecke+Devrient, e os centros de tesouraria do Banco do Brasil para abrigar e operar as redes de distribuição.

A analista do Banco Central, Hilda Nitami, realiza um trabalho frequente de avaliação junto às associações comerciais para monitorar a disponibilidade de troco no varejo. Ela e o analista César Campos Cruz visitaram a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) na última quinta-feira (18/06) para solicitar um diagnóstico sobre a situação na Capital paulista.

Na ocasião, foram debatidos temas como a qualidade do numerário em circulação, a utilização dos guichês de troco do Banco do Brasil, o recolhimento de cédulas e moedas danificadas, o combate ao entesouramento e o encaminhamento de notas suspeitas de falsificação para análise no BC.

Hilda salientou que a instituição continua produzindo e distribuindo numerário para atender à demanda dos bancos e do varejo. “A tecnologia mudou os hábitos e contribuiu para a redução do dinheiro circulante, mas, de modo geral, percebemos que em algumas regiões ainda existe uma forte demanda pelo dinheiro em espécie.”

Enfrentando o digital

Mas como está se virando a população que ainda depende do dinheiro vivo? Apesar das mudanças radicais provocadas pelos novos meios de pagamento, grande parte da população de baixa renda continua utilizando o dinheiro em espécie. Muitos não têm acesso a uma conta bancária ou simplesmente preferem cédulas e moedas para suas operações rotineiras.

“Por costume, ou mesmo por falta de conhecimento ou interesse, muitas pessoas continuam usando apenas o dinheiro físico, reflexo de uma visão desconfiada em relação aos meios digitais”, explica César Campos Cruz.

Para esses consumidores, não é raro ouvir de um comerciante que não há troco. É justamente nesse gargalo que o Banco Central procura atuar. “A necessidade de troco é muito grande em algumas regiões de São Paulo e, por conta disso, disponibilizamos pontos de atendimento específicos”, esclarece Hilda Nitami.

O serviço ocorre diretamente nos guichês de caixa de agências selecionadas do Banco do Brasil. No estado de São Paulo, as principais agências centrais e de grande porte contam com esse atendimento, disponível no horário normal de expediente bancário e sem necessidade de agendamento prévio. O limite padrão estabelecido é de até 100 unidades de cada valor pedido (moedas ou cédulas de R$ 2 e R$ 5) por pessoa.

Pix Troco e o comércio

Como alternativa, o Banco Central também disponibiliza o Pix Troco. Com ele, o cidadão pode fazer um Pix de valor maior em estabelecimentos comerciais parceiros (como padarias e supermercados) e receber a diferença em dinheiro em espécie direto no caixa, funcionando como uma opção  prática para obtenção de dinheiro físico.

Vale destacar que a legislação brasileira proíbe a recusa de papel-moeda como forma de pagamento. No Congresso Nacional, o PL 3341/24, que proíbe a extinção do papel-moeda ou sua substituição compulsória por moedas digitais, pretende assegurar que o dinheiro físico continue existindo por tempo indeterminado como garantia de escolha.

Essas medidas mostram que, embora o ecossistema de pagamentos do Brasil caminhe rapidamente para o ambiente virtual, o dinheiro físico continuará protegido por lei para assegurar a inclusão de toda a população.

Anualmente, a ACSP, por solicitação do Banco Central, faz uma avaliação da situação da moeda corrente no comércio de São Paulo. O objetivo do relatório é medir como os lojistas estão lidando com a falta de moedas e a necessidade de troco no dia a dia.

Cursos e palestras

Para os trabalhadores e empreendedores do comércio e serviços, profissionais de caixa, associações de classe, escolas, bancos e instituições públicas, o BC oferece a palestra "Conheça seu Dinheiro", um treinamento presencial gratuito focado no reconhecimento de elementos de segurança do Real e prevenção a fraudes.

Em São Paulo, o BC realiza a capacitação mediante solicitação e agendamento prévio para grupos de interesse coletivo. Para solicitar a realização do curso para empresa ou instituição na cidade, é necessário acessar a página do Governo Federal sobre os Elementos de Segurança do Real e verificar os canais de agendamento. 

IMAGEM: Thinkstock

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