Banco Central reduz juros básicos para 14% ao ano
A Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, algo que não acontecia desde outubro de 2012. Alencar Burti, presidente da ACSP, espera que este seja o início de uma sequência de quedas

Pela primeira vez em quatro anos, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.
A última vez em que a taxa tinha sido reduzida foi em outubro de 2012, quando o Copom tinha cortado os juros de 7,5% para 7,25% ao ano.
A taxa foi mantida nesse nível, o menor da história, até abril de 2013, mas passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho do ano passado.
Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), vê como correta a decisão de reduzir a taxa. “Além da continuidade da crise econômica, a inflação já está mostrando claros sinais de desaceleração”, afirma Burti.
O presidente da ACSP espera que essa ação do Banco Central seja “o início de um ciclo de redução dos juros, que ainda se encontram em patamar elevado.”
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Oficialmente, o Conselho Monetário Nacional estabelece meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumulou 8,48% nos 12 meses encerrados em setembro, depois de atingir o recorde de 10,71% nos 12 meses terminados em janeiro.
No Relatório de Inflação, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerre 2016 em 7,3%.
O mercado está um pouco menos pessimista. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, a inflação oficial fechará o ano em 7,01%.
Até a última reunião do Copom, em agosto, o impacto de preços administrados, como a elevação de tarifas públicas, e o de alimentos, como feijão e leite, contribuíam para a manutenção dos índices de preços em níveis altos.
De lá para cá, no entanto, a inflação começou a desacelerar por causa da recessão econômica e da queda do dólar. Em setembro, o IPCA ficou em 0,08%, a menor taxa para o mês desde 1998.
Embora ajude no controle dos preços, o aumento ou a manutenção da taxa Selic em níveis elevados prejudica a economia. Isso porque os juros altos intensificam a queda na produção e no consumo.
Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam contração de 3,19% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2016. No último Relatório de Inflação, o BC manteve a estimativa de retração da economia em 3,3%.
FALTOU CARAGEM
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, criticou em nota a decisão anunciada nesta quarta-feira, 19, pelo Banco Central de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14% ao ano.
"Redução dos juros é sempre bem-vinda, mas a timidez do corte de 0,25 ponto porcentual mostra que faltou coragem ao Banco Central para um corte maior da taxa de juros", comentou.
Skaf argumentou que, como a expectativa para os próximos 12 meses é de inflação de 5%, a taxa de juros real estaria em torno de 9% ao ano. "O Banco Central do Brasil não se preocupa com os 12 milhões de desempregados", afirmou.
CUSTO DO CRÉDITO
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que a redução de marca o início do ciclo de queda dos juros. Segundo a entidade, a decisão do Copom reflete a desaceleração dos preços e a expectativa de que a inflação alcançará o centro da meta de 4,5% em 2017.
A CNI lembra ainda, em nota, que a queda dos juros é essencial para a volta do crescimento da economia. "A redução da taxa Selic diminuirá os custos do crédito para as empresas e as famílias, melhorando as condições financeiras e estimulando o consumo e os investimentos”
No entanto, a indústria alerta que a recuperação sólida e vigorosa da economia depende da aprovação das medidas de ajuste fiscal, como a imposição de limites ao aumento do gasto público e a reforma da Previdência, continua a nota da CNI.
ATUALIZADA ÀS 19h50
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