Banco Central sinaliza possível fim nas altas dos juros
Instituição aponta que o efeito da política monetária é satisfatório, no entanto, para Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP, não há garantia de estabilidade na Selic

O Banco Central (BC) acredita que a política monetária está na "direção correta". A instituição, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual a Selic foi elevada de 13,75% ao ano para 14,25%, deixou de ver seus esforços como insuficientes para atingir os objetivos no controle da inflação.
Para Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o posicionamento do BC mostra uma tendência de manutenção da Selic no patamar atual, embora o economista admita que não há garantias. “O comentário do Banco Central foi feito antes de uma nova disparada do dólar. Então pode ser que a próxima ação do banco seja diferente daquilo que aparece na ata”, diz Solimeo.
O economista acredita que a Selic não precisaria ter sido elevada a 14,25%. “Os juros têm aumentado para conter a demanda, que já vem caindo. Além disso, é preciso um certo tempo para se observar os efeitos das altas da Selic permeando toda a economia. Mas com os aumentos em sequência pode ser que tenha ocorrido uma superdosagem”, comenta Solimeo.
Ao avaliar o cenário para o custo de vida, o BC reafirmou que a convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se fortalecido. No trecho em que faz essa ponderação, o banco excluiu a frase "ainda não se mostram suficientes" quando falou sobre os efeitos da política monetária.
No lugar dessa avaliação, disse que a política monetária está na direção correta e acrescentou que os riscos remanescentes para que a inflação fique na meta em 2016 são condizentes com efeitos defasados e cumulativos da política monetária.
O BC entende, no entanto, que apesar dessa visão de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estará em 4,5% ao final de 2016, é preciso alguma dose de cautela e observou que é preciso permanecer vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação em relação à meta.
CRÉDITO
A diretoria do BC avalia ainda que a expansão moderada do crédito tende a persistir. O colegiado também ressaltou que houve uma "aceleração" do processo de distensão do mercado de trabalho. Na edição anterior, a avaliação era a de que esse processo estaria apenas no início.
"A esse respeito, importa destacar que, após anos em forte expansão, o mercado de crédito voltado ao consumo passou por moderação, de modo que, nos últimos trimestres, observaram-se, de um lado, redução de exposição por parte de bancos e, de outro, desalavancagem das famílias", trouxe a ata.
Para o colegiado, os riscos no segmento de crédito ao consumo vêm sendo mitigados. Mais uma vez, os diretores do BC consideraram oportuno reforçar as iniciativas que moderam as concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
Foi observado que a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho tem arrefecido, com dados confirmando a aceleração de um processo de distensão nesse mercado. "No entanto, ainda prevalece risco significativo relacionado, particularmente, à possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade, com repercussões negativas sobre a inflação."
Apesar da ocorrência de variações reais de salários mais condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do trabalho, na interpretação da diretoria do BC, o comitê avaliou que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos.
Também a demanda agregada continuará a se apresentar moderada no horizonte relevante para a política monetária, segundo o BC.
Essa frase mostra uma avaliação diferente do BC em relação à ata anterior quando a ata avaliava que a demanda agregada "tendia" a se apresentar moderada. O BC manteve a avaliação de que as exportações devem ser beneficiadas pelo cenário de maior crescimento de importantes parceiros comerciais e pela depreciação do real.
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* com informações do Estadão Conteúdo

