Brasil cria 72,9 mil empregos com carteira em maio; saldo em 2026 chega a 767,3 mil vagas
Na apresentação dos números do Caged, o ministro Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, afirmou que o resultado não foi mais positivo porque 'a política monetária (juros elevados) gera efeito muito negativo no mercado de trabalho'

O Brasil encerrou maio de 2026 com saldo positivo de 72.960 empregos com carteira assinada, resultado de 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos. O crescimento ocorreu nos cinco principais setores da economia, com destaque para serviços (+45.655 postos), seguido por construção (+12.096), agropecuária (+10.205), indústria (+4.974) e comércio (+40). Entre as unidades da Federação, 22 dos 27 estados registraram saldo positivo.
De janeiro a maio, o país acumulou 767.326 novos empregos formais, elevando o estoque de vínculos celetistas para 47.877.989 trabalhadores. Nos últimos 12 meses, o saldo alcançou 973.285 postos de trabalho, crescimento de 2,1%.
Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados nesta terça-feira, 30/06, em Brasília, durante coletiva de imprensa com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
"Os números de maio confirmam a trajetória positiva do mercado de trabalho brasileiro. Estamos ampliando a geração de empregos formais em praticamente todo o país, com crescimento em todos os grandes setores da economia e resultados consistentes ao longo de 2026", afirmou o ministro.
Estados
São Paulo registrou o maior saldo absoluto de empregos formais em maio, com 18.224 vagas, seguido por Espírito Santo (+9.532) e Rio de Janeiro (+9.195). Proporcionalmente, os maiores avanços ocorreram em Espírito Santo (+1,02%), Acre (+0,77%) e Piauí (+0,53%).
Os estados com saldo negativo foram Rio Grande do Sul (-5.657), Goiás (-2.742) e Tocantins (-743). Segundo Luiz Marinho, os resultados de Goiás e Tocantins refletem principalmente a sazonalidade da atividade agropecuária. No Rio Grande do Sul, além do encerramento de safras, houve impacto sobre segmentos industriais exportadores. "Rio Grande do Sul tem uma parte do resultado ligada ao agro, pelo fim da safra, e parte relacionada às tarifas do Trump", disse o ministro.
Perfil das contratações
O saldo de maio foi positivo tanto para mulheres (+51.848 vagas) quanto para homens (+21.112). Trabalhadores com ensino médio completo responderam pela maior parte das novas vagas, com saldo de 60.509 postos. "Os dados confirmam o que temos observado mês a mês: os jovens seguem liderando a geração de empregos formais", apontou o ministro.
O salário médio real de admissão foi de R$ 2.384,10 em maio, queda de 0,75% em relação a abril. Na comparação com maio de 2025, porém, houve aumento real de 1,5%, equivalente a R$ 35,98.
Raça e cor
Ao comentar os dados por raça e etnia, o ministro destacou a redução dos registros classificados como "sem informação". Segundo ele, o saldo negativo nessa categoria decorre da melhoria da qualidade dos cadastros, e não da eliminação de postos de trabalho.
"O dado negativo significa que hoje temos mais informações sobre raça e cor dos trabalhadores. Isso é extremamente positivo. Esperamos que as pessoas se sintam cada vez mais à vontade para fazer essa autodeclaração", explicou Marinho.
Acumulado do ano
Nos cinco primeiros meses de 2026, o setor de serviços liderou a geração de empregos, com 493.917 vagas. Em contrapartida, o comércio registrou saldo negativo no período, com perda de 26.274 postos de trabalho. Entre os estados, os maiores saldos acumulados pertencem a São Paulo (+215.924), Minas Gerais (+87.375) e Santa Catarina (+61.658).
Juros altos
Para Marinho, a política monetária continua restringindo a expansão do emprego formal e criticou o Banco Central. "A política monetária, do jeito que está, vem gerando um efeito muito negativo no mercado de trabalho. O emprego poderia estar mais positivo ainda". O ministro também atribuiu parte da desaceleração ao cenário internacional.
"Não podemos esquecer também do efeito da guerra e das tarifas, que criaram um transtorno importante no mercado global e têm consequências no Brasil. Felizmente, estamos conseguindo manter a economia positiva, mas num ritmo que poderia ser muito superior", avalia o ministro.
Bolsa Família
Marinho rebateu críticas aos que atribuem ao Bolsa Família dificuldades para a contratação de mão de obra. Segundo ele, os dados do governo mostram que beneficiários do programa e pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) continuam ingressando no mercado formal.
Entre janeiro e abril de 2026, 1.451.606 beneficiários do Bolsa Família foram admitidos e 1.030.307 desligados, resultando em saldo positivo de 421.299 empregos com carteira assinada. Entre os inscritos no CadÚnico que não recebem o Bolsa Família, foram registradas 2.465.297 admissões e 2.282.809 desligamentos (+182.488 vagas). Somados, os dois grupos responderam por aproximadamente 603 mil empregos líquidos nos quatro primeiros meses de 2026.
IMAGEM: Valter Campanato/Agência Brasil

