Emprego formal cresce 3,6% em 1 ano e chega a 62,2 milhões de postos em fevereiro
Os dados da Rais foram apresentados pelo ministro Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, nesta quarta-feira. Em números absolutos, a comparação do mês de fevereiro (2025 e 2026) revela um incremento de 2,17 milhões de vagas registradas no período

Os vínculos formais de trabalho no Brasil apresentaram crescimento de 3,6% em fevereiro de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, passando de pouco mais de 60 milhões para 62,2 milhões. Do total, a maior parte (47,97 milhões) corresponde a contratações via CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Outros 13,82 milhões correspondem a vínculos de agentes públicos, abrangendo servidores, cargos comissionados e contratos temporários.
Em números absolutos, a comparação do mês de fevereiro (2025 e 2026) revela um incremento de 2,17 milhões de vínculos a mais no período, sendo quase 1,1 milhão relacionados a agentes públicos e o restante (1,04 milhão) referente a contratações de celetistas.
Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 24/06, em Brasília (DF).
Norte lidera expansão
O crescimento do emprego formal foi registrado em todas as regiões do país. O Norte apresentou o melhor desempenho, com alta de 4,16%, seguido pelo Nordeste (3,27%), Centro-Oeste (2,70%), Sul (2,10%) e Sudeste (1,62%).
Em números absolutos, Minas Gerais liderou a geração de empregos, com saldo de 271,2 mil novos vínculos, seguido por São Paulo, com 148 mil. Já em termos proporcionais, os maiores crescimentos foram observados em Tocantins (8,76%), Pará (6,1%) e Mato Grosso (4,1%).
Mulheres
Os dados também mostram avanço da participação feminina no mercado formal. A quantidade de postos ocupados por mulheres alcançou 28,67 milhões em fevereiro de 2026, aumento de 1,29 milhão em relação ao mesmo período do ano anterior, o que representa crescimento de 4,7%. No geral, a participação feminina no emprego formal passou de 45,6% para 46,1%.
Entre os homens, o aumento foi de 879 mil vínculos. “Enquanto as mulheres cresceram 4,7%, os homens cresceram 2,7%. As mulheres estão ocupando mais espaço no mercado de trabalho”, destacou o ministro Luiz Marinho.
Apesar da evolução, ele observou que ainda existe uma diferença próxima de 5 milhões de postos entre homens e mulheres e defendeu o fortalecimento de políticas públicas de cuidado. “Há espaço para crescer mais a presença das mulheres no mercado de trabalho. As políticas de cuidado, como a ampliação de creches, ajudam a criar condições para que mais mulheres possam trabalhar”, afirmou.
Jovens
Os trabalhadores de 30 a 49 anos seguem concentrando a maior parte dos empregos formais no país, com 51,7% dos vínculos. O maior avanço, porém, foi registrado entre os jovens de 18 a 24 anos, que ganharam 1,21 milhão de vagas em relação a fevereiro de 2025, crescimento de 18,9%.
O levantamento também mostrou aumento dos vínculos formais em todos os grupos raciais e étnicos, além de melhoria no registro das informações de raça e cor pelos empregadores.
Os trabalhadores com ensino médio completo continuam sendo maioria no mercado formal, representando 53,6% dos vínculos. Já em relação à jornada de trabalho, 37,1 milhões de pessoas atuavam entre 41 e 44 horas semanais.
Para Marinho, os dados reforçam o cenário de expansão do emprego formal no país, com destaque para a maior inserção dos jovens no mercado de trabalho.
Massa salarial
Dados apresentados pelo governo mostram que o mercado de trabalho formal manteve trajetória de crescimento em 2025, com aumento da massa salarial e expansão do número de vínculos empregatícios. Entre janeiro e dezembro, o montante passou de R$ 235,7 bilhões para R$ 240,7 bilhões, alta de 2,1%.
Especialistas destacam que as oscilações registradas nos primeiros meses do ano estão ligadas principalmente ao encerramento e à renovação de contratos temporários, especialmente no setor público e na educação. Esse movimento provoca queda no número de trabalhadores em janeiro e fevereiro, seguida de recuperação a partir de março.
O levantamento também aponta avanço da participação feminina na massa salarial, que passou de 41,9% para 42,7% ao longo de 2025. Entre os grupos raciais, indígenas, pretos e pardos apresentaram os maiores crescimentos no número de vínculos remunerados.
Recortes
O ministro informou que, numa avaliação com informações entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, também houve incremento de empregos formais (2,29%), com a criação de 1,39 milhão de vagas. Segundo Marinho, parte desse resultado está associada às contratações temporárias realizadas no início do ano.
De acordo com os dados do MTE, por porte de empresas, houve estabilidade relativa da geração de vínculos de trabalho entre micro (-0,11%) e pequenas empresas (-0,89%). Por outro lado, microempreendedores foram responsáveis pelo crescimento de 4,2% na estatística da Rais. Empresas com faturamento acima de R$ 4,8 milhões responderam por um incremento de 3,1% na quantidade de empregos formais.
Rais
A Relação Anual de Informações Sociais (Rais) é um instrumento governamental de coleta de dados sobre o mercado de trabalho brasileiro. Os objetivos são suprir as necessidades de controle da atividade trabalhista no país, fornecer dados para a elaboração de estatísticas do trabalho e disponibilizar informações sobre o mercado de trabalho às entidades governamentais.
IMAGEM: Ubirajara Rodrigues/DC

