Câmbio amplia lucro de filiais de multinacionais europeias
Vendas no Brasil ajudam os resultados globais do Casino e Carrefour. Vivo e Santander comemoram aumento de receita e lucro, enquanto Bayer e Ab-Inbev lamentam mau desempenho

Entre problemas como inflação e recessão, multinacionais europeias que atuam no Brasil chamaram a atenção pelos bons resultados no terceiro trimestre, com impacto relevante no balanço global das companhias.
Para isso, contaram com uma importante ajuda do câmbio. Desde o início do ano, a moeda brasileira teve alta de aproximadamente 20% em relação ao dólar e ao euro.
Na área de varejo, as vendas no Brasil ajudaram os números globais das duas redes de supermercados francesas que atuam no país: Carrefour e Casino, controlador do Grupo Pão de Açúcar (GPA).
Se for considerada a variação cambial, a receita da operação brasileira do Carrefour medida em euros aumentou 25% na comparação anual. Da mesma forma, o resultado do Casino na América Latina cresceu 20,8% no trimestre em euros, levando em conta o câmbio.
O crescimento de receita total do Carrefour no Brasil foi de 16,2% no terceiro trimestre ante igual período de 2015, considerando o câmbio constante e excluindo os postos de gasolina. James Grzinic, analista da Jefferies, salientou o "forte progresso internacional" do grupo.
O GPA cresceu no varejo alimentar 14% no mesmo período. Porém, o detalhamento contábil mostrou que o aumento das vendas no país não se traduziu em lucro porque houve queda real nas margens do grupo.
TERCEIRO LUGAR
Para a espanhola Telefônica, o Brasil gerou o terceiro maior volume de receitas consolidadas, um total de 21%, ficando atrás da matriz (24,8%) e da Telefónica América Latina.
A controladora da Vivo Brasil destacou que, "apesar da pressão inflacionária" o país apresentou um "excelente desempenho".
Durante teleconferência com analistas, executivos da empresa ressaltaram que "pelo potencial do Brasil, claramente o foco é no crescimento orgânico".
LUCRO RECORDE
Entre as divulgações de balanços na Europa, a que chamou mais atenção foi a do Banco Santander, a maior instituição financeira estrangeira presente no país.
O lucro da filial brasileira representou nada menos do que 20% dos ganhos mundiais do grupo no acumulado do ano até setembro, o maior entre todas as unidades, o que não era visto há alguns anos.
O diretor financeiro do conglomerado espanhol, José García Cantera, apresentou uma visão otimista para o Brasil durante o detalhamento do resultado de julho a setembro.
Ele enfatizou que o desempenho no país foi "muito forte" e previu que o mercado de crédito no Brasil vai crescer nos próximos meses. "Acreditamos que o pior ficou pra trás", previu o executivo.
Com um resultado apoiado na venda de mais serviços financeiros e no aumento das receitas com crédito, o banco lucrou R$ 1,884 bilhão no terceiro trimestre, 10,30% mais que no mesmo período de 2015.
DECEPÇÃO
Já para a alemã Bayer, conglomerado do setor químico, o Brasil deixou a desejar. A empresa revelou um aumento de 6% nos lucros no terceiro trimestre e elevou a previsão de lucro para o ano, resultados impulsionados pela divisão de produtos farmacêuticos.
No entanto, as vendas da divisão agrícola tiveram declínio de 1,2% no mesmo período, afetadas pelos baixos preços de grãos, recessão no Brasil e sanções na Rússia.
O executivo da empresa Werner Baumann disse que a unidade estava operando em um "ambiente de mercado persistentemente difícil".
O país também foi um empecilho para a AB-Inbev, multinacional de bebidas formada pela fusão entre a belga Interbrew e a brasileira Ambev. Dados divulgados mostram que os volumes de vendas no terceiro trimestre recuaram com o mercado fraco brasileiro.
O fabricante da Budweiser chegou a reduzir sua perspectiva de ganho por ações. No Brasil, a Ambev revisou para baixo sua meta de crescimento das receitas pela segunda vez no ano e disse que o ambiente de consumo deve permanecer desafiador no País.

