Cenário é desafiador para o varejo
Expectativas dos consumidores em relação às compras podem ser influenciadas pelo desenlace do processo de impeachment

O aumento pontual nas vendas em fevereiro, por causa de um dia útil a mais, ainda não é motivo de comemoração para o comércio. A perspectiva para os próximos meses é de continuidade da contração das vendas do varejo, mas de forma mais atenuada, devido à menor base de comparação do ano passado, segundo avaliação de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
"O cenário futuro é bastante desafiador, não podendo ser descartada a influência do desenlace do processo de impeachment nas expectativas dos consumidores", informam em nota.
Em fevereiro, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do varejo restrito (que não inclui veículos e material de construção) aumentou em 1,2% frente a janeiro (descontando-se os efeitos sazonais), melhor resultado desde 2010.
Mas no contraste com o mesmo mês do ano passado, houve queda de 4,2%, apesar de contar com um dia útil a mais, já que 2016 é bissexto. No primeiro bimestre, com o mesmo número de dias úteis, houve queda de 7,6% nas vendas, enquanto nos últimos 12 meses o recuo chegou a 5,3%.
O varejo ampliado, que considera todos os setores, encolheu de forma mais intensa nas mesmas bases de comparação, que alcançaram a 5,6% e 10,1%, respectivamente, enquanto em 12 meses a retração foi de 9,1%, respectivamente.
"Vale destacar que a alta dos juros, a desaceleração do crédito e o declínio da confiança do consumidor, que se encontra nos níveis mais baixos desde 2005, explicam as fortes quedas, durante o período janeiro-fevereiro."
Os economistas destacam que elas ocorreram nos segmentos de móveis e eletrodomésticos (-18,7%); equipamentos, material de escritório, informática e comunicação (-21,2%); veículos (-14,7%) e material de construção (-14,8%)."
Na avaliação deles, a contração das vendas é cada vez mais disseminada, com exceção de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, que, pelo fato de serem imprescindíveis, ainda resistem à crise.
"O setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que também pertence à categoria de itens de consumo básico, não está resistindo às expressivas diminuições da renda e do emprego e à elevada inflação dos alimentos."
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