Comércio varejista acumula queda de 6,9% nas vendas até agosto

Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp, diz que o lojista deve continuar fazendo promoções e diversificar o mix de produtos e de fornecedores para atravessar esse ano de crise

Redação DC
14/Out/2015
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Comércio varejista acumula queda de 6,9% nas vendas até agosto

O comércio varejista do país fechou o mês de agosto com queda nas vendas de 0,9% em relação a julho, elevando a retração acumulada nos primeiros oito meses do ano (janeiro-agosto) para 3%. 

A queda mensal de 0,9% foi a pior para o mês de agosto dos últimos 15 anos. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (14/10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), os números divulgados hoje pelo IBGE em relação ao varejo brasileiro são preocupantes e, portanto, o momento é de união de esforços.  
 
“Precisamos buscar para o nosso país as melhores soluções, por meio da análise profunda dos problemas e da eliminação urgente dos excessos burocráticos e tributários, que não condizem com o momento que vivemos. Encontraremos um Brasil melhor se trabalharmos juntos – sociedade, governo, empresas, agricultura, indústria, comércio, serviços”, diz Burti. 

Segundo ele, as principais razões para as quedas nas vendas são o encarecimento do crédito – devido à alta dos juros – e a diminuição da massa salarial. Ele destacou a importância de lojistas continuarem com as estratégias de redução de preços. 

“Além do movimento de vendas, o valor médio gasto pelo consumidor também está caindo. O varejo precisa continuar fazendo promoções e, sempre que possível, diversificar o mix de produtos e de fornecedores. O importante agora é ser o mais competitivo possível para sobreviver a esse momento delicado. Quanto mais os empresários puderem manter seus clientes nas lojas, melhor”, afirma o presidente da ACSP e da Facesp.  

A retração de 3% nas vendas do varejo no acumulado de 2015 até agosto foi o pior resultado para o período desde 2003, quando o recuo no período era de 5,5%, segundo o IBGE.

Apesar do recorde, os dois períodos guardam poucas semelhanças, afirmou Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do órgão.

"A semelhança com 2003 é que houve deterioração no mercado de trabalho. Mas as condições são diferentes, o mercado de trabalho era menor em 2003, e o mercado de crédito praticamente não existia", disse Isabella.

Atualmente, os fatores que mais pesam sobre o consumo das famílias e, consequentemente, afetam as vendas no comércio são a restrição ao crédito, diante do aumento de juros, a redução da massa salarial, a queda no número de trabalhadores com carteira assinada e a inflação de alimentos, mais pressionada do que a média, afirmou a gerente.

Em agosto, o recuo foi ainda maior: de 6,9% na comparação com igual mês do ano passado, a pior taxa para o mês de toda a série da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) iniciada em 2000.

Em relação a agosto de 2014, a redução do volume de vendas no varejo disseminou-se por 26 das 27 unidades da Federação. Os destaques, em termos de taxa de dois dígitos, foram o Amapá (-17,6%),  Alagoas (-14,8%), a Paraíba (-12,9%), Bahia (-12,2%), Rondônia (-11,8%), Pernambuco e Goiás (ambos com -10,3%). O único estado em que não houve redução do volume de vendas foi Roraima (5,7%).

Os dados do IBGE já levam em consideração os efeitos sazonais – quando são descontados do resultado os números de dias úteis decorrentes de feriados e fins de semana.

VAREJO AMPLIADO

No comércio varejista ampliado (com a inclusão das vendas de veículos, motos, partes e peças e de material de construção), o volume de vendas em relação a julho caiu 2,0%, acumulando no ano retração de 6,9% e nos últimos 12 meses, queda de 5,2%.

Ainda nos dados do comércio varejista ampliado, a receita nominal caiu 0,9% em relação a julho e 2,5% em relação a agosto do ano passado. No acumulado do ano, a receita nominal ficou negativa em 0,6%, passando a 0,8% nos últimos 12 meses.

Todos os 27 estados apresentaram variações negativas para o volume de vendas, na comparação com o mesmo período do ano anterior, destacando-se em termos de influência no resultado global São Paulo (-4,8%), Minas Gerais (-13%), Rio de Janeiro (-8,7%) e o Rio Grande do Sul (-15,1%).

Em agosto, segundo o IBGE, o volume de vendas no varejo prossegue mostrando um quadro de menor ritmo, expresso não só pelo sétimo mês seguido com resultado negativo na comparação com o mês imediatamente anterior, mas também no perfil disseminado de taxas negativas entre os principais segmentos.

Com o resultado de agosto, o total das vendas está 9,7% abaixo do nível recorde alcançado em novembro de 2014.

Os sinais de menor intensidade das vendas no varejo também ficam evidenciados na comparação com o mesmo mês do ano anterior, com perda de 6,9%, a quinta taxa negativa consecutiva.

Com isso, o indicador acumulado nos últimos 12 meses, com recuo de 1,5%, mantém a trajetória descendente iniciada em julho de 2014, quando esse índice estava em 4,3%.

RETRAÇÃO EM SEIS DE OITO SETORES

A queda de 0,9% nas vendas do comércio varejista de julho para agosto deste ano e de 2% no varejo ampliado tiveram predomínio de resultados negativos entre as atividades, com pressões mais intensas nos setores de veículos e motos, partes e peças (-5,2%), livros, jornais, revistas e papelaria (-2,6%), material de construção (-2,3%), móveis e eletrodomésticos (-2,0%), tecidos, vestuário e calçados (-1,7%) e combustíveis e lubrificantes (-1,3%).

A queda de 6,9% nas vendas do comércio varejista, na comparação com agosto de 2014, reflete retrações em sete das oito atividades, com destaque para o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (queda de 4,8%), móveis e eletrodomésticos (-18,6%), seguidos por tecidos, vestuário e calçados (-13,7%).

Os demais setores com taxas negativas foram combustíveis e lubrificantes (-7,2%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,9%), livros, jornais, revistas e papelaria (-15,6%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-7,1%).

Segundo o IBGE, a retração de 4,8% em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo exerceu o principal impacto negativo sobre a taxa do varejo e foi a sétima queda consecutiva nessa comparação, acumulando perda de 2,3% no ano e de -1,7% em 12 meses.

Essa atividade teve seu desempenho influenciado pelo menor ritmo de crescimento da renda e pelo comportamento dos preços dos alimentos, que cresceram acima do índice geral no período de 12 meses: 10,9% no grupo alimentação no domicílio, contra 9,5% da inflação global, segundo o IPCA.

O segmento de móveis e eletrodomésticos foi responsável pelo segundo maior impacto negativo sobre o índice geral, com recuo de 18,6% no volume de vendas em relação a agosto do ano passado, a nona taxa negativa nessa comparação.

FOTO: Thinkstock

*Com informações de Agência Brasil e Estadão Conteúdo

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