Crédito para empresas caiu 8,9% em 2016
Houve recuo aos principais setores da economia. Em outubro, comércio apresentou redução de 0,7% na comparação com setembro

O crédito voltado a empresas seguiu em queda no mês de outubro, com recuo de 0,8% na comparação com setembro e contração de 6,7% em 12 meses.
O saldo total de R$ 1,556 trilhão registrado no mês passado já é 8,9% menor no acumulado deste ano em comparação ao período de janeiro a outubro do ano passado.
Houve recuo no crédito aos principais setores da atividade econômica. Para a agropecuária cedeu 1,1% em outubro ante setembro. A indústria também teve baixa de 1,1% e os serviços cederam 0,4%, no mesmo período de comparação.
No crédito para pessoa jurídica com sede no exterior e créditos não classificados (outros), a baixa foi de 2,0%.
O crédito para o setor de serviços ficou em R$ 741,477 bilhões em outubro. Dentro desse setor, o comércio apresentou redução de 0,7% (R$ 268,993 bilhões) no crédito no mês passado.
Em transporte, cedeu 0,6%, para R$ 149,641 bilhões. Na administração pública, houve baixa de 0,1%, para R$ 124,929 bilhões. A categoria "outros" apresentou alta de 0,1%, de R$ 197,914 bilhões.
Para a indústria, o crédito recuou na margem para R$ 758,621 bilhões. Na construção, houve alta de 0,1% no mês passado, para R$ 102,752 bilhões. A indústria de transformação cedeu 1,3%, para R$ 418,358 bilhões.
Já os serviços industriais de utilidade pública (SIUP) ficaram estáveis no mês passado, em R$ 202,790 bilhões. No caso da extrativa, houve uma queda de 8,0% em setembro, para R$ 34,722 bilhões.
Para o setor agropecuário, a queda foi de 1,1% em outubro ante setembro, para R$ 23,503 bilhões.
O enxugamento de recursos para empresas foi mais forte do que para os consumidores, cujo saldo de crédito no sistema financeiro encolheu, mas menos: 0,2% em relação a setembro.
Em 12 meses e no acumulado do ano, o saldo de recursos tomados por pessoas físicas registram ainda um crescimento tímido, de 3,3% e de 1,8%, respectivamente.
Os dados, divulgados nesta quinta-feira (24/11) pelo Banco Central, mostram que o estoque total de crédito no país recuou 0,5% de setembro para outubro, atingindo R$ 3,095 trilhões.
Em outubro de 2015, o estoque de operações de financiamento estava em R$ 3,157 trilhões. A baixa em 12 meses foi de 2% e no acumulado do ano, de 3,9%.
SALDO NÃO REFLETE "ALGUMA RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA"
O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Renato Baldini, afirmou nesta quinta-feira (24/11) que o crédito no Brasil ainda não reflete "alguma recuperação" da economia.
Segundo ele, o crédito segue em trajetória de retração em 12 meses e a greve dos bancários, encerrada apenas no início de outubro, impactou as concessões de algumas modalidades.
"As modalidades mais afetadas pela greve foram o consignado e o crédito imobiliário", disse Baldini.
"São modalidades que requerem mais a presença das pessoas nas agências", acrescentou.
Baldini chamou atenção para o fato de que as concessões de crédito consignado cresceram 13,8% em outubro, na margem, após caírem 24,4% em setembro, em função da greve dos bancários.
"A alta do consignado em outubro não recuperou toda a queda vista em setembro, com a greve", disse Baldini, lembrando que o movimento grevista na Caixa Econômica Federal foi encerrado um pouco depois que nos outros bancos.
Como a Caixa é referência na concessão de crédito imobiliário, isso também afetou a modalidade.
De acordo com Baldini, a expectativa é que o crédito imobiliário melhore em novembro, mesmo porque a Caixa reduziu os juros cobrados recentemente.
INADIMPLÊNCIA
O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central disse durante coletiva à imprensa para apresentação dos dados da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito, que as taxas de inadimplência, embora estáveis, permanecem em índices altos.
De fato, o BC informou nesta quinta que a inadimplência no crédito com recursos livres atingiu 5,9% em outubro, mesmo patamar de setembro. Em outubro do ano passado, estava em 5,0% e em dezembro de 2014, antes do aprofundamento da crise econômica, estava em 4,3%.
Baldini afirmou, no entanto, que a expectativa do BC é que o quadro econômico siga melhorando, com avanços na área fiscal. "No futuro, a expectativa é de redução das taxas de juros e dos spreads", afirmou.
Ele pontuou, no entanto, que é difícil dizer quando a redução da Selic (a taxa básica de juros da economia) levará a uma diminuição das taxas cobradas também de empresas e famílias.
O chefe-adjunto lembrou que os spreads - diferença entre o custo de captação dos bancos e o que é, de fato, cobrado dos clientes - refletem a incerteza da economia. Em outubro, conforme os dados do BC, o spread com recursos livres avançou 1,0 ponto porcentual, de 41,2 para 42,2 pontos porcentuais. Este movimento ocorreu a despeito de a taxa de captação de recursos pelos bancos ter recuado 0,4 ponto porcentual no período.
BNDES
Baldini destacou ainda a alta da inadimplência em financiamentos com recursos do BNDES.
Em setembro, houve avanço de 0,6% ante setembro, considerando todas as modalidades, e elevação de 0,7% no financiamento para investimento. No entanto, segundo ele, a série sugere que isso foi um fato isolado, que tende a não se repetir em novembro.
Ao avaliar o crédito para capital de giro de empresas, ele chamou atenção para o fato de que o saldo das operações ficou estável, em R$ 335,502 bilhões, em outubro ante setembro. Foi o primeiro mês de estabilidade após nove meses de queda, lembrou Baldini.
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