Déficit das contas do governo cresce 32,3% em um ano

Saldo negativo das contas do Governo Central soma R$ 44,4 bi até maio, mas equipe liderada pelo secretário do Tesouro Nacional Daniel Leal (no centro) mantém expectativa de cumprir a meta fiscal

João Mendes, de Brasília
29/Jun/2026
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Déficit das contas do governo cresce 32,3% em um ano

Em maio de 2026, o resultado primário do Governo Central foi deficitário em R$ 53,3 bilhões, 32,3% acima de R$ 40,2 bilhões do mesmo mês no ano passado. Os dados fazem parte do Boletim Resultado do Tesouro Nacional, divulgado nesta segunda-feira (29/6) pelo Ministério da Fazenda.

Nos primeiros cinco meses de 2026, o saldo negativo já soma R$ 44,4 bilhões, ante um superávit de R$ 32,9 bilhões no mesmo período de 2025. O principal responsável do ano foi impactado pelas contas da Previdência, com déficit que expandiu de R$ 154,2 bilhões para R$ 185,7 bilhões.

O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, explicou que o aumento nas despesas com benefícios reflete, em grande parte, o pagamento de precatórios, que ocorreu no início do ano, enquanto, em 2025, foi realizado apenas em junho. Além disso, o esforço para reduzir, este ano, a fila do INSS.

“A gente não espera que isso continue crescendo nessa velocidade ao longo do ano. A tendência é estabilizar”, disse. Segundo ele, esse movimento está dentro das expectativas do governo e não compromete o resultado primário deste ano, que é de superávit de 0,25% do PIB.

O levantamento leva em conta os números do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência Social. Em termos reais, a receita líquida apresentou um acréscimo de R$ 10,4 bilhões (+5,5%), enquanto a despesa total registrou um aumento de R$ 21,5 bilhões (+9,4%), quando comparadas a maio de 2025. Os dados mostram que os gastos crescem em ritmo maior do que a arrecadação.

O secretário declarou que a evolução dos números ocorre conforme o planejado pelo governo. "Está dentro das expectativas, sem nenhum comprometimento da expectativa de resultado primário", afirmou. De acordo com o secretário, os resultados também foram influenciados pela imposição de um calendário para o desembolso das emendas parlamentares.

“Bondades” e “pautas-bomba” 

Na avaliação do economista André Fernandes, da empresa de consultoria Análise Econômica, a expansão do déficit irá exigir um esforço adicional do governo, que já tem bloqueado despesas para cumprir o novo arcabouço fiscal. Sobre as medidas que o governo (“bondades) e o parlamento (“pautas-bombas”) têm adotado que aumentam os gastos públicos, o economista acredita que são problemas de médio e longo prazo.

Para ele, em que pese a elevação das despesas em ano eleitoral, o arcabouço fiscal não permite ultrapassar os limites - tanto que o governo bloqueou gastos para alcançar o resultado previsto. “Apesar de todas as incertezas nas contas públicas, dessa vez temos essa trava que limita esse poder do governo em ano eleitoral, além da Lei de Responsabilidade Fiscal”, destaca.

Os resultados das contas do governo são relevantes para o cumprimento da meta fiscal, que neste ano é de um superávit fiscal de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões, com uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o superávit pode variar entre R$ 36,6 bilhões e R$ 109,8 bilhões.

As informações do Tesouro Nacional vão ao encontro do cenário das contas públicas da União, Estados e Munícipios. De acordo com o painel Gasto Brasil, as despesas dos três entes da federação já atingem quase R$ 2,8 trilhões, enquanto os números do Impostômetro alcançam pouco mais de R$ 2 trilhões. Os cálculos são da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“Do lado da receita, a gente tem uma dinâmica benigna que mostra que a economia brasileira segue forte apesar dos sinais de desaceleração da atividade econômica. A economia crescendo em um ritmo bom garante a continuidade desse processo de fortalecimento das receitas - também importante nesse equilíbrio das contas públicas brasileiras”, ressalta André Fernandes.

 

IMAGEM: Reprodução do YouTube 

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