Déficit primário foi o maior da história para o mês de fevereiro
O Banco Central informou que o resultado negativo decorre do aprofundamento do déficit da Previdência

O déficit primário de R$ 23,468 bilhões do setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção da Petrobras e Eletrobras) em fevereiro foi o pior da série histórica para o mês.
Apesar desta marca negativa, o Banco Central (BC), responsável pela divulgação do déficit, avaliou que o número ficou bastante próximo do resultado de fevereiro do ano passado, quando atingiu R$ 23,040 bilhões.
"A diferença é pequena e, para todos os fins de análise macroeconômica, há uma estabilidade no resultado primário de fevereiro ante o ano passado", afirmou Fernando Rocha, chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC
Ele destacou que o déficit do Governo Central piorou em fevereiro, enquanto o superávit dos governos regionais foi maior. Mesmo assim, o déficit do governo federal decorre do aprofundamento do déficit da Previdência, enquanto o resultado do Tesouro Nacional (mais Banco Central) foi melhor.
"Isso reflete o esforço de consolidação fiscal, enquanto o déficit do INSS de fevereiro foi o pior da história para qualquer mês", acrescentou, citando a série histórica iniciada em 2001.
"Ou seja, déficit do setor público consolidado está estável, e mostra o Governo Central com menor déficit e os governos regionais com melhor superávit, enquanto as contas do INSS continuam a se deteriorar", disse Rocha.
CONTA E JUROS
O representante do BC destacou também que a redução da conta de juros em fevereiro para R$ 30,776 bilhões decorre basicamente do menor número de dias no mês.
"E com um estoque de swap menor, a conta de juros neste ano será menos volátil que a vista em 2015 e 2016", acrescentou.
Rocha ressaltou a redução da conta de juros no primeiro bimestre de 2017, de R$ 67,189 bilhões em comparação com R$ 86,006 bilhões no mesmo período do ano passado.
Ele destacou também que o superávit primário de R$ 13,244 bilhões no bimestre foi o melhor desde 2015 para o período.
DÍVIDA / PIB
A dívida líquida total do setor público consolidado, de 47,4% do PIB em fevereiro, chegou ao seu maior patamar desde março de 2006, quando estava em 47,7% do PIB.
Já a dívida bruta do governo geral, em 70,6% do PIB em fevereiro, foi a segunda maior da série histórica, ficando atrás apenas do pico 71% do PIB em novembro de 2016.
"Com a devolução antecipada de valores do BNDES ao Tesouro no fim do ano passado, a dívida bruta caiu para 69,9% do PIB, mas voltou a crescer em janeiro para 70,0% do PIB e agora para 70,6%", relatou Rocha.
O representante do BC informou também as novas projeções da autoridade monetária para as dívidas líquida e bruta em março e para este ano.
Considerando um câmbio de R$ 3,12, a projeção do BC é de que a dívida líquida continue sua trajetória de crescimento em março e chegue a 47,9% do PIB.
Já a dívida bruta deve chegar a 71,1% do PIB em março, um novo recorde na série histórica.
A previsão para o ano considera o cumprimento da meta fiscal, os parâmetros previstos no Relatório de Mercado Focus - IPCA, Selic e câmbio - e um crescimento do PIB de 0,5%, conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).
Nesse cenário, a dívida líquida deve chegar a 52,4% do PIB ao fim de 2017 e a dívida bruta deve ficar em 76,2% do PIB.
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