Desemprego fica em 8,9% no 3º trimestre

São 9 milhões de desempregados, o maior número segundo a série histórica da Pnad Contínua do IBGE, que teve início em 2012

Estadão Conteúdo
24/Nov/2015
  • btn-whatsapp
Desemprego fica em 8,9% no 3º trimestre

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 8,9% no terceiro trimestre de 2015, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta terça-feira  (24/11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego era de 6,8%. No segundo trimestre do ano, o resultado foi de 8,3%.

A renda média real do trabalhador ficou em R$ 1.889,00 no período, o que representa queda de 1,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior e ficou estável ante o terceiro trimestre de 2014.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 168,6 bilhões no terceiro trimestre, queda de 1,2% ante o segundo trimestre. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, houve recuo de 0,1%.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa tem por objetivo substituir a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange apenas seis regiões metropolitanas e será encerrada em fevereiro de 2016, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

FILA DO DESEMPREGO

O Brasil contava com 9 milhões de pessoas na fila do desemprego no terceiro trimestre do ano. O montante representa um salto de 33,9% no total de desocupados em relação ao terceiro trimestre do ano passado, o equivalente a 2,274 milhões de pessoas a mais em busca de uma vaga, de acordo com dados da Pnad Contínua. Em relação ao segundo trimestre, o número de desempregados subiu 7,5%, 625 mil indivíduos a mais buscando trabalho.

Ao mesmo tempo, houve um corte no número de vagas. A população ocupada recuou 0,1% na passagem do segundo para o terceiro trimestre, 121 mil dispensados. Na comparação com o terceiro trimestre de 2014, a queda foi de 0,2%, 179 mil postos fechados.

SÃO PAULO 

A taxa de desocupação no município de São Paulo foi de 8,1% no terceiro trimestre de 2015, resultado superior ao registrado no segundo trimestre, de 7,0%, de acordo com dados da Pnad Contínua. Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego no município também era menor, de 6,7%.

A renda média real do trabalhador no município de São Paulo foi de R$ 3.151 no terceiro trimestre, resultado menor do que o registrado no segundo trimestre do ano (R$ 3.260). No terceiro trimestre de 2014, a renda média real do trabalhador em São Paulo era de R$ 3.300.

Entre os municípios das capitais do País, a maior taxa de desemprego no terceiro trimestre foi de Salvador, de 16,1%, enquanto a menor foi registrada no Rio de Janeiro, de 5,1%.

O IBGE divulgou pela primeira vez os dados para a taxa de desemprego e renda média do trabalhador para todos os municípios das capitais brasileiras, apurados pela Pnad Contínua.

VAGAS FORMAIS

O País perdeu 1,237 milhões de postos de trabalho com carteira assinada no setor privado no terceiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período do ano anterior. A queda foi de 3,4%.

Em relação ao segundo trimestre, o recuo nas vagas formais foi de 1,4%, 494 mil postos com carteira a menos. "As pessoas estão perdendo carteira de trabalho e se inserindo no mercado por conta própria, ou até abrindo um pequeno negócio", apontou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O total de trabalhadores por conta própria aumentou 3,5% ante o terceiro trimestre de 2014, 760 mil pessoas a mais nessa condição, enquanto os empregadores cresceram 7,9%, aumento de 297 mil. "Isso pode ser pequenos negócios abertos, com duas ou três pessoas empregadas", observou Azeredo.

O emprego sem carteira no setor privado diminuiu 0,8% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, 81 mil pessoas a menos no período de um ano.

DOIS DIGITOS

A taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua deve atingir dois dígitos em 2016, avaliou nesta terça o economista sênior da Haitong, Flávio Serrano.

"Os dados da Pnad confirmam a deterioração do mercado de trabalho, que é reflexo da desaceleração intensa da economia. E é bem provável que esse processo de correção se intensifique até pelo menos meados do ano que vem, já que ainda não vemos sinais de acomodação da atividade", afirmou. "No entanto, como os efeitos do mercado de trabalho são defasados, não podemos imaginar até quando vai haver essa piora".

O IBGE informou que o desemprego medido pela Pnad Contínua atingiu 8,9% no terceiro trimestre de 2015. Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego era de 6,8%. Serrano, por sua vez, trabalhava com uma taxa de 8,8% nos três meses encerrados em setembro.

"Esperávamos essa piora no mercado de trabalho por causa do ajuste econômico. Isso é ruim em termos de conjuntura, mas deve ter reflexos positivos em um novo ciclo de crescimento econômico guiado pelo investimento", disse.

*Foto: Thinkstock

O Diário do Comércio permite a cópia e republicação deste conteúdo acompanhado do link original desta página.
Para mais detalhes, nosso contato é redacao@dcomercio.com.br .

 

Store in Store

Carga Pesada