Dívidas protestadas crescem 25% no primeiro semestre
Indicador da Boa Vista SCPC aponta o pior resultado para os primeiros seis meses desde 2006. Empresas são as mais penalizadas

O volume total de dívidas protestadas no país subiu 25% no primeiro semestre de 2015 na comparação com igual intervalo de 2014, segundo levantamento da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Este foi o pior primeiro semestre desde 2006 tanto para empresas quanto para consumidores. Para as empresas, a situação é um pouco pior.
Segundo Flávio Calife, economista da Boa Vista SCPC, o aumento de títulos protestados sinaliza uma piora da inadimplência, mas não é o único indicativo - ele se soma aos dados de cheques devolvidos, por exemplo.
O levantamento mostra que as dívidas protestadas das empresas subiram 20,9% no semestre. No mesmo período do ano passado, a variação foi bem menor, de 5,9%.
"As empresas, além de serem mais representativas na amostra da Boa Vista, também estão apresentando piora em outros indicadores, como os de cheques e de inadimplência. As empresas estão deixando de pagar as contas", diz Calife.
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Para ter uma ideia, nos primeiros cinco meses deste ano, houve aumento de 0,40 ponto percentual na inadimplência das empresas, segundo dados do Banco Central. Para o consumidor, a evolução foi de 0,1 p.p. no mesmo período.
Para o economista, a atividade econômica fraca reflete de maneira mais drástica nas empresas - que ao longo do ano já tiveram aumento de custos fixos e queda nas vendas.
"Além disso, elas têm mais dificuldade de captar recursos nos bancos, que estão mais seletivos. Isso também está piorando a capacidade das empresas", diz Calife.
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O levantamento da Boa Vista SCPC mostra que os protestos de dívidas dos consumidores tiveram alta de 30,7% no primeiro semestre.
Na comparação interanual, somente em junho, os protestos subiram 46,4% em relação a junho do ano passado - quando aumentaram 41% para empresas e 55,5% para consumidores)
Em relação a maio, os títulos protestados em junho caíram 3,5%. Nesse caso, houve um recuo de 3,2% das dívidas protestadas de empresas e de 3,9% de consumidores.
O valor médio dos títulos protestados para o mês de junho foi de R$ 3.733,00. Os de maior valor são os das empresas, de R$ 4.836. Para as pessoas físicas, o valor correspondeu a R$ 2.054.
Na divisão por regiões, os títulos de empresas protestados em junho subiram 49% no Centro-Oeste na comparação anual, 47,2% no Sul, 43,4% no Sudeste, 36,5% no Norte e 18,1% no Nordeste.
O indicador da Boa Vista de títulos protestados mostra a evolução da quantidade de anotações negativas referentes a protestos de títulos, informados por cartórios de protestos no referido mês.
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