Dólar comercial encosta em R$ 4
Incertezas sobre os rumos da economia pressionam cotação da moeda. Exportações podem ser beneficiadas, mas não crescem sobre igual período de 2014

Um dia após rumores sobre um novo rebaixamento da nota de risco de crédito brasileira na sexta-feira (18/09), o dólar comercial continuou subindo e fechou cotado a R$ 3,981, com alta de 0,57%, nesta segunda-feira (21/09).
Este foi o segundo maior valor desde a criação do real, e perde apenas para a cotação do fechamento de 10 de outubro de 2003, de R$ 3,99.
Ao longo do dia, porém, a moeda norte-americana encostou em R$ 4. A divisa acumula alta de 9,75% em setembro e de 49,73% em 2015.
No início da sessão, o dólar chegou a cair, chegando a atingir R$ 3,947 na mínima do dia, por volta das 9h30.
Nas horas seguintes, a moeda subiu fortemente. Às 15h40, chegou a ser negociada a R$ 3,97.
O Banco Central promoveu dois leilões de venda de dólares conjugados com leilões de recompra, denominados leilões de linha. Foram ofertados até US$ 3 bilhões com o compromisso de recompra, mas a pressão sobre a moeda americana continuou. O dólar não caiu apesar das intervenções do Banco Central.
A cotação do dólar não tem caído nos últimos dias, apesar de o Federal Reserve (Fed), Banco Central norte-americano, ter adiado o aumento da taxa básica de juros da maior economia do planeta na reunião da última quinta-feira (17/09).
Desde o fim de 2008, os juros nos Estados Unidos estão entre 0% e 0,25% ao ano. Na época, o Fed cortou a taxa para estimular a economia americana em meio à crise no crédito imobiliário. A última elevação de juros nos EUA ocorreu em 2006.
Juros mais altos atraem capital para os títulos públicos americanos, considerados a aplicação mais segura do mundo. Os investidores retiram recursos de países emergentes, como o Brasil, pressionando a cotação do dólar.
Para João Medeiros, diretor da Pioneer Corretora de Câmbio, o que têm pressionado o dólar são os rumores de rebaixamento, que continuam, e a incerteza. "Há uma grande desilusão no mercado a respeito das medidas anunciadas pelo governo", afirma.
O diretor avalia que as exportações brasileiras podem ser beneficiadas por um dólar alto. Apesar disso, no entanto, elas são menores na comparação com o ano passado.
Na análise do acumulado das três primeiras semanas de setembro, houve retração de 13% na média de exportação (US$ 775,5 milhões em 2015, contra US$ 891,6 milhões em 2014), em razão de semimanufaturados (-20,4%), básicos (-18,9%), e manufaturados (-0,3%).
Do lado das importações, a média diária até a terceira semana de setembro ficou 31,8% abaixo da média do mesmo período de 2014. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) nesta segunda-feira (21/09).
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*Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo

