Dólar fecha em estabilidade e Bolsa cai com negociações entre EUA e Irã

A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 4,998 e o Ibovespa fechou com perdas de 0,33%, a 190.745 pontos

Folhapress
24/Abr/2026
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Dólar fecha em estabilidade e Bolsa cai com negociações entre EUA e Irã

O dólar fechou perto da estabilidade nesta sexta-feira, 24/04, em leve variação negativa de 0,08% e cotado a R$ 4,998.

A moeda operou em margens curtas ao longo de toda a sessão, tendo ido de R$ 4,995 na mínima a R$ 5,025 na máxima. Lá fora, o movimento foi de queda: o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis divisas fortes, recuou 0,31%, a 98,52 pontos.

Já a Bolsa brasileira fechou com perdas de 0,33%, a 190.745 pontos. Brava foi destaque negativo, em queda de 5,75%. Na outra ponta, Usiminas fechou em disparada de 5,5%.

O dia foi pautado pela expectativa de novas negociações entre Estados Unidos e Irã. Representantes de ambos os países devem se sentar à mesa novamente neste sábado (25), após uma semana de intenso vaivém diplomático para achar uma solução para o conflito entre os rivais.

O chanceler da teocracia, Abbas Araghchi, anunciou nesta sexta que irá ao Paquistão. Segundo a mídia estatal iraniana, ele não iria se encontrar com representantes americanos, e sim apresentar as propostas de Teerã para os anfitriões, que então as repassariam a Washington.

Em seguida, integrantes do governo norte-americano informaram a diversos veículos que dois negociadores estavam a caminho de Islamabad, capital paquistanesa: Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente que cuida dos interesses empresariais do sogro mesmo sem ter cargo oficial.

Ainda que conflitantes, as notícias renovaram a expectativa de que os dois países poderão retomar as negociações pela paz. Na quinta, Donald Trump ainda anunciou uma prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano por mais três semanas.

"Sinais de continuidade entre EUA e Irã e a extensão do cessar-fogo ajudaram a reduzir o prêmio de risco geopolítico, enquanto a queda nos rendimentos de curto prazo dos títulos do Tesouro dos EUA enfraqueceu o DXY", diz Bruno Sashini, especialista em investimentos da Nomad.

Representantes de países árabes e da União Europeia também devem realizar um encontro no Chipre para debater os conflitos e os problemas enfrentados pelo transporte de petróleo devido ao bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás.

"O impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã tem levado o mercado a projetar um petróleo sustentado em níveis mais elevados por mais tempo, diante das incertezas sobre a evolução do conflito e seus impactos sobre a oferta global", afirma Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.

A expectativa de um desfecho para a guerra fez o petróleo Brent reduzir os ganhos vistos mais cedo, quando chegou a US$ 107 por barril. Agora, ronda US$ 105.

Teerã e Washington têm bloqueado o tráfego marítimo de Hormuz. Na quarta, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou que reteve dois navios-petroleiros que tentaram atravessar o estreito sem a sua autorização.

Como exportador de petróleo, o Brasil se beneficia com alta do petróleo, tanto via fluxo de estrangeiros quanto pela balança comercial. O movimento de busca global por proteção, contudo, tende a pressionar os ativos domésticos.

"O tom predominante ainda é de cautela, já que a percepção geral é de que o impasse no Oriente Médio segue longe de uma resolução definitiva. A leitura é clara: enquanto não houver sinal concreto de distensão entre EUA e Irã e normalização do fluxo em Hormuz, o mercado tende a continuar alternando entre alívio e proteção", diz Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

Não à toa, a moeda norte-americana fechou acima de R$ 5 na véspera pela primeira vez desde 10 de abril, quase duas semanas atrás.

Visando corrigir distorções no mercado cambial, o BC (Banco Central) anunciou um "casadão" para esta manhã - isto é, dois leilões simultâneos: um de venda à vista de dólares e outro de swap cambial reverso.

A oferta foi de US$ 1 bilhão à vista e, simultaneamente, 20 mil contratos de swap cambial reverso, no mesmo valor. O BC, porém, não aceitou nenhuma proposta dos negociadores de câmbio.

Essas operações geralmente são realizadas para injetar liquidez no mercado à vista, equilibrando o sistema.

Os investidores agora se preparam para as decisões de juros do BC brasileiro e do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, na próxima quarta-feira. Lá fora, a expectativa é de manutenção da taxa no atual patamar de 3,5% e 3,75%.

Aqui, a maioria dos operadores aposta em um novo corte de 0,25 ponto na Selic, hoje em 14,75% ao ano. Mas, mais do que a reunião da próxima semana, o mercado discute o que o Copom (Comitê de Política Monetária) fará no encontro seguinte, em junho.

"Tenho dúvidas se o Copom faz mais uma redução de 0,25 pontos ou se para por aí", diz o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares. "Mesmo que o conflito no Oriente Médio acabe hoje, já se contratou um desequilíbrio econômico no mundo que vai durar alguns trimestres."

O avanço recente das expectativas de inflação no Brasil, segundo Olivares, diminui o espaço para os cortes da Selic, pelo menos até que haja maior clareza sobre o desfecho da guerra.

No boletim Focus mais recente divulgado pelo BC, a mediana das expectativas de inflação para 2027 está em 3,99%; para 2028, 3,60% - acima das taxas de 3,80% e de 3,52% vistas um mês antes, respectivamente. O centro da meta de inflação perseguido pelo BC é de 3%.

 

IMAGEM: Freepik

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