Eles faturam R$ 800 mil vendendo creme da vovó
Em uma gestão familiar, Júnior Medina conta como a empresa fundada pela avó, Eloísa Medina vende mais de 25 mil produtos por mês com a fórmula anti-idade descoberta pela empresária

Receitas de famílias já foram a fonte de inspiração para muitos negócios de sucesso. Com a família Medina não foi diferente. A antiga fórmula vendida na farmácia da família há mais de 50 anos inspirou Eloísa Medina a criar o seu próprio sustento.
Hoje, o negócio comercializa mais de 25 mil produtos por mês, tem e-commerce próprio, uma loja conceito no Shopping Tietê, é vendido em programas de televisão e em farmácias, é gerido pelos netos de Eloísa e fatura R$ 800 mil mensais.
COMO TUDO COMEÇOU
Quando deixou Sorocaba, no interior paulista, e se mudou para São Caetano do Sul, no Grande ABC, com sua família, Eloísa passou a acompanhar a rotina de trabalho de seu pai e irmão na farmácia que garantia o sustento familiar.
Ali, aprendeu como era possível curar dores, inflamações, infecções e tantas outras doenças. Cansou de assistir ao pai receitando o melhor remédio para cada caso. Em muitos deles, as fórmulas se repetiam e de uma dessas, ela nunca se esqueceu.
Como todo jovem da época, Eloísa participava da rotina doméstica da casa. Lavava e passava roupas, cozinhava, fazia serviços da casa e quando se queimava ou machucava utilizada o mesmo remédio, uma espécie de pomada que era vendida na farmácia da família.
Quando se casou, não deixou aquele hábito para trás e um dia, ao utilizar o produto, espalhou o excesso que havia ficado em suas mãos no próprio rosto e sentiu uma sensação diferente.
“Dali surgiu uma ideia. Se o creme era cicatrizante poderia fazer muito bem a pele do rosto e até possivelmente, na prevenção de rugas”, diz Júnior Medina, neto e um dos gestores da Eloísa Medina.
EMPRESÁRIA COBAIA
Decidiu fazer dela mesmo uma cobaia e passou a usá-lo diariamente com esse propósito. Aos 22 anos, rugas ou marcas de expressão não eram exatamente um problema, mas a textura da pele mudou e muitas pessoas perceberam a diferença – sempre a perguntavam se estava maquiada, quando, na verdade, só tinha a pele brilhante e hidratada.
Ainda como forma de teste, foi distribuindo o produto para familiares e amigas mais próximas e as monitorava sobre os efeitos do produto. O resultado foi positivo e Eloísa viu naquilo a oportunidade de construir a própria história.
Nessa mesma época, meados de 1995, as reuniões de Tupperware eram muito comuns. O ritual consistia num grupo de mulheres que se encontravam uma vez por mês na casa de uma delas para que a vendedora viesse apresentar uma variedade de potes, bacias, garrafas e outros utensílios plásticos.
Ao final do evento, as convidadas poderiam comprar e encomendar o que quisessem e a anfitriã ganhava algum um mimo, de acordo com o valor das vendas.
Aproveitando a quantidade de mulheres reunidas num só lugar, Eloísa apresentava sua invenção, o hidratante que a essa altura já levava seu nome, creme da Eloísa.
DE CASA PARA A TELEVISÃO
Meses mais tarde, teve a ideia que viria mudar completamente o rumo de sua empreitada. Assistindo aos programas de televisão que vendiam itens, como facas e óculos, Eloísa quis o mesmo. Procurou várias empresas que a pudessem ajudar, levantou valores em diferentes emissoras e encontrou o empresário, um uruguaio, que a ajudaria com a seguinte condição: a de que ele formalizasse seu negócio, já que para atuar com venda direta era preciso emitir um CNPJ.
Ao mesmo tempo, encontrou um laboratório que até hoje é o responsável pela fabricação dos produtos da marca, deu um novo nome a seu creme, que passou a se chamar Plástica Natural e estreou na televisão em 1997.
A parceria durou quatro anos até que o uruguaio não suportou o peso tributário brasileiro e encerrou suas atividades no país. Com as dicas deixadas pelo empresário e já com um volume de vendas muito expressivo, Eloísa partiu em carreira solo. Montou a própria empresa, em 2001, com apenas seis funcionários com um investimento estimado em R$ 100 mil.
Seguiu apostando nas vendas por telefone e fechou parcerias com as rádios Capital, Globo e América, bem populares na época, além de algumas parcerias com revistas.
Nessa retomada, Eloísa já tinha ao seu lado, os netos Júnior e Priscila, formados em marketing e a consultoria do filho, da área odontológica. Juntos, decidiram que já era hora de entrar com força total na televisão e asseguraram espaço na rede Gazeta, no pragrama Pra Você, com Ione Borges e Claúdia Pacheco. Pouco tempo depois, fecharam novas ações em programas femininos em emissoras como Rede TV e Bandeirantes.
Durante esse tempo, novos produtos começaram a ser vendidos e novas necessidades foram surgindo, como a criação de um site institucional para que as clientes tivessem mais informações sobre o produto e segurança sobre a empresa.
Naquele mesmo período, as vendas por telefone vinham perdendo credibilidade. As cápsulas de Porangaba, muito anunciadas em comerciais de rádio e televisão como um produto natural para obesidade foi alvo de reclamações na Fundação Procon-SP e teve sua venda proibida pela Anvisa.
“Aquilo causou um mal-estar geral no mercado. Nos cercamos como era possível e também compramos espaço em comerciais para ganhar visibilidade”.
A própria Eloísa Medina, fundadora da empresa, se tornou a garota propaganda do produto em programas, como o a apresentadora Sônia Abrão, na tentativa de fidelizar a marca.
A estratégia deu certo. Em 2009, na onda do mercado, abriram o próprio e-commerce e dois anos depois, uma pequena loja no Shopping Metrô Tucuruvi, que seria fechada cinco anos mais tarde.
Com base nos erros que cometeram, fizeram diferente com a loja conceito de 140 metros quadrados, que abriram no Tietê Plaza Shooping. Ali, além dos produtos Eloísa Medina, como o Plástica Natural, investiram também na venda de perfumes importados.
Até então, 85% do faturamento ainda era decorrente do canal televendas e outros 15% da loja física. Mesmo ativo, o e-commerce ainda não era representativo.
“Ele funcionava para consulta mesmo, as clientes compravam pelo telefone enquanto pesquisam no site. 89% de nossas clientes tinham mais de 55 anos”.
A VIRADA DIGITAL
Em 2016, outra grande novidade alavancou os números da empresa. Decididos a dar início a uma operação de vendas nos Estados Unidos, Júnior convenceu a influenciadora Bella Falconi a testar o produto durante seis meses, se gostasse, se tornaria parceira da marca.
Enquanto isso, foram distribuindo o hidratante em pequenas lojas e salões de beleza, como Tonya Beauty, em Orlando, com muitos clientes brasileiros. Seis meses depois, Bella topou a parceira e anunciou o produto em seu Instagram – a primeira ação da marca nas redes sociais.
Com a repercussão, um novo público, entre 25 e 35 anos, invadiu o e-commerce da marca em busca do Plástica Natural, que hoje, tem 15% das vendas oriundas da loja on-line. “Quando temos algum tipo de ativação com a Bella Falconi, vendemos 15 mil produtos na semana”.
Pouco tempo depois, a abertura do marketplace GiroNoBrás trouxe ainda mais volume ao negócio que sustenta um tíquete médio de R$ 150 e fatura R$ 800 mil por mês vendendo mais de 25 mil produtos mensais.
Hoje, o produto é o número um vendas no site, com a comercialização de mais de três mil kits por mês para um público jovem, preocupado com a prevenção de rugas.
Em processo de sucessão, a presidência e a palavra final de qualquer decisão ainda é de Eloísa Medina. Mais ativos na gestão, Júnior é o responsável pelas negociações de mídia e vendas, enquanto Priscila lida com as emissoras de televisão e marketing da empresa.
Hoje, Júnior negocia a entrada do produto em perfumarias e farmácias com uma precificação mais justa e tenta superar os aspectos tributários e logísticos que emperram novos investimentos na marca.

