Empresas de alto crescimento diminuem no Brasil
Em 2014, pelo segundo ano consecutivo, houve redução tanto no número de empresas quanto no pessoal ocupado, de acordo com levantamento do IBGE

Operavam no Brasil 31,2 mil empresas de alto crescimento em 2014 -uma redução de 6,4% em relação ao total existente no ano anterior, de acordo com as Estatísticas de Empreendedorismo, divulgadas nesta sexta-feira (18/11), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa considera como empresas de alto crescimento aquelas que aumentaram em pelo menos 20% ao ano o número de empregados por um período de três anos consecutivos, e tinham 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial de observação.
Essas empresas empreendedoras ocupavam cerca de 4,4 milhões de pessoas assalariadas e pagavam R$ 103,2 bilhões em salários e outras remunerações.
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Pelo segundo ano consecutivo, houve redução tanto no número de empresas quanto no pessoal ocupado assalariado (-10,4%) e nos salários e outras remunerações em valores nominais (-4,0%).
O quadro, entretanto, foi de deterioração ainda mais aguda do que em 2013, quando o recuo no total de empresas tinha sido de 5,2%; a queda no pessoal ocupado atingiu 5,8%; e os salários encolheram 1,1%.
Em 2014, as empresas de alto crescimento representavam apenas 1,3% do total de empresas ativas com ao menos uma pessoa ocupada assalariada no País, mas respondiam por quase a metade dos empregos gerados (46,7%).
Isabella Nunes, pesquisadorea e gerente de serviços e comércio do IBGE destaca que a perda de fôlego das empresas segue uma tendência global. Isabella aponta que se configurar como uma empresa de alto crescimento é um grande desafio, especialmente, em um período em que a economia vem arrefecendo.
“Aumentar o número de funcionários em pelo menos 20% por três anos consecutivos é uma condição bem audaciosa”.
Entre 2011 e 2014, as empresas de alto crescimento apresentaram um avanço de 175% no pessoal ocupado, passando de 1,6 milhão de pessoas em 2011 para 4,4 milhões em 2014 - um incremento de 2,8 milhões de postos de trabalho.
O setor de construção foi o que apresentou a maior proporção de empresas de alto crescimento no total de empresas ativas com 10 ou mais pessoas assalariadas, 9,6%, embora em termos absolutos o maior número de empresas de alto crescimento esteja nos serviços (9.931).
As empresas de alto crescimento geraram R$ 241,4 bilhões de valor adicionado bruto, 12,8% do total de R$ 1,8 trilhão gerado pelas empresas ativas com 10 ou mais assalariados.
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O valor adicionado médio das empresas empreendedoras foi de R$ 8,2 milhões, desempenho superior ao registrado pelas empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas (R$ 4,4 milhões).
Num recorte regional, de acordo com Isabella, é possível observar que a região Sudeste é a que detém a maior concentração de empresas de alto crescimento com 48%. Em seguida, estão as regiões Sul (20%), Norte (17,6%), Centro-oeste (8,9%) e Norte (5,4%).

