Empresas em recuperação judicial têm dívidas que somam R$ 14,7 bi

Os problemas na economia fizeram crescer o número de pedidos de recuperação. O número de títulos protestados também tem aumentado, avançando 26% no primeiro semestre

Estadão Conteúdo
07/Jul/2016
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Empresas em recuperação judicial têm dívidas que somam R$ 14,7 bi

As empresas brasileiras que estão em processo de recuperação judicial devem um total de R$ 14,77 bilhões, mostra estudo feito pela Serasa Experian divulgado nesta quinta-feira, 7/07. O número, evidentemente, não incluí as dívidas da operadora Oi, que superam R$ 65 bilhões. A Justiça aceitou o pedido de recuperação da empresa, mas o processo ainda não foi iniciado. 

O levantamento somou as dívidas de 3.774 empresas, o que dá uma média R$ 3,9 milhões para cada uma. O número de compromissos vencidos e não pagos chega a 736.712. Na média, são R$ 20 mil para cada.

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Se consideradas apenas as dívidas que estão sendo cobradas na Justiça, que representam apenas 0,3% do total, o valor médio sobe para R$ 431 mil. As informações foram colhidas com base em empresas inadimplentes e dados de empresas em recuperação judicial, oriundas dos fóruns, varas de falências e dos Diários Oficiais e da Justiça dos Estados.

De acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações, divulgado na quarta-feira, 6/07, o número de recuperações judiciais requeridas no primeiro semestre de 2016 foi 87,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. 

Foram 923 ocorrências em 2016 contra 492 apuradas entre janeiro e junho de 2015. O resultado é o maior para o período desde 2006, após a entrada em vigor da Nova Lei de Falências, em junho de 2005.

"O atual quadro recessivo, que já vem se arrastando por dois anos, e as dificuldades na obtenção de crédito, têm prejudicado a solvência financeira das empresas, levando os pedidos de recuperação judicial a recordes históricos recorrentes", avaliam os economistas da Serasa Experian, em nota.

PROTESTOS DE TÍTULOS

O valor médio dos títulos protestados em junho ficou em R$ 3.428, o que representa uma queda de 28,6% se comparado à média de R$ 4.800 apurada no mesmo mês do ano passado. Os dados são da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).

À primeira vista, pode denotar uma boa notícia. Mas, de acordo com o economista-chefe da Boa Vista, Flávio Calife, diante de um cenário de inflação que encerrou 2015 a 10,67% e que só neste ano acumula alta de 4,05%, a queda do valor médio dos títulos protestados é um sinalizador de deterioração da economia.

Mesmo com a redução do valor médio dos títulos, as empresas não estão conseguindo honrar suas dívidas. Não foi por outra razão que o número total de títulos protestados no país aumentou 26% no acumulado do primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Boa Vista. 

Na mesma base de comparação, no acumulado de janeiro a junho do ano passado, a alta havia sido de 24,6% sobre o primeiro semestre de 2014.

Na comparação interanual, que confronta junho deste ano com idêntico mês em 2015, os títulos protestados subiram 49,3% e aumentaram apenas 13,3% em relação a maio deste ano. 

Para Calife, o resultado de junho indica que os protestos vão continuar crescendo, mas a uma taxa menor, caminhando para um ponto de inflexão. O economista diz que é difícil precisar quando isso vai acontecer porque antes da chegada deste momento a economia ainda vai desempregar muita gente.

Nesta estatística dos títulos protestados ao longo do primeiro semestre, explica o economista-chefe da Boa Vista, não estão incluídos os protestos de pessoas físicas. "Damos mais peso para os protestos de pessoas jurídicas porque, no total de protestos, as pessoas físicas respondem por apenas 5%."

IMAGEM: Thinkstock

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