Escasso para empresas, crédito permanece estável para o comércio
Em junho, o saldo de financiamentos para o varejo foi de R$ 279,3 bilhões, segundo dados do Banco Central

Em junho o crédito continuou encolhendo para as empresas, mas permaneceu estável para o varejo. O contraste do comportamento do crédito livre no primeiro semestre deste ano, em especial para Pessoa Jurídica, em relação à primeira metade de 2015 chamou a atenção do chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.
"O crédito às empresas caiu significativos 7,5% no primeiro semestre. No ano passado, em igual período, crescia 1,4%", comparou.
De acordo com o técnico do BC, há uma queda bastante abrangente e generalizada entre as modalidades de financiamento.
"São fatores sistêmicos, é um ambiente de crescimento baixo e de incertezas", constatou. Isso fica mais claro, de acordo com Maciel, no caso do segmento de capital de giro, que recuou 7,4% no primeiro semestre deste ano. No mesmo período, a conta garantida teve baixa de 7,1%.
O crédito para as empresas recuou 1,3% em junho em relação a maio. Em 12 meses, a contração foi de 2,2%. No acumulado do ano, houve baixa de 6,3% para as companhias.
O volume total de crédito no sistema financeiro também recuou 0,5% em junho ante maio e chegou a R$ 3,130 trilhões. Em junho de 2015, o total de operações de financiamento estava em R$ 3,100 trilhões.
CRÉDITO PARA O COMÉRCIO ESTABILIZA
De maio para junho houve queda no volume de crédito para três setores de atividade: agropecuária, indústria e serviços.
O crédito total recuou 1,3% para R$ 1,600 trilhão. A agropecuária caiu 2,2%, a indústria teve baixa de 1,3% e os serviços, contração de 0,9%. No crédito para pessoa jurídica com sede no exterior e créditos não classificados, a queda foi de 9,1%.
O crédito para o setor de serviços ficou em R$ 752,644 bilhões em junho. Dentro desse setor, o comércio teve estabilidade (R$ 279,288 bilhões) no mês passado.
Em transporte, caiu 3,0%, para R$ 155,103 bilhões. Na administração pública, houve baixa de 2,0% para R$ 122,064 bilhões. A categoria "outros" avançou 0,5% para R$ 196,188 bilhões.
Para a indústria, o crédito recuou na margem para R$ 789,767 bilhões. Na construção, houve baixa de 0,8% no mês passado, para R$ 106,684 bilhões.
A indústria de transformação caiu 1,7% para R$ 436,477 bilhões. Já os serviços industriais de utilidade pública (SIUP) registraram aumento do crédito de 0,4% no mês passado, para R$ 205,116 bilhões. No caso da extrativa, houve uma queda de 6,7% em junho, para R$ 41,489 bilhões.
Para o setor agropecuário, a baixa foi de 2,2% em junho ante maio, para R$ 23,605 bilhões.
INADIMPLÊNCIA DAS EMPRESAS
Para as empresas, a taxa de inadimplência recuou de 5,3% para 5,1% de um mês para o outro. Estava em 3,9% um ano antes.
A taxa média de juros cobrada das pessoas jurídicas permaneceu estável: 30,3% ao ano. Esses dados são do crédito com recursos dos bancos.
No caso do crédito direcionado (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura) a taxa de juros para as empresas sofreu redução de 0,2 ponto percentual indo para 11,7% ao ano. Nessa linha, a taxa de inadimplência das empresas chegou a 1,1%.
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Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil

