Exportações recorde em junho: balança comercial tem superávit de US$ 9,8 bi, 66,6% maior que em 2025

Os Estados Unidos voltaram a registrar crescimento no valor das compras de produtos brasileiros pela primeira vez desde julho do ano passado

Ubirajara Rodrigues, de Brasília
03/Jul/2026
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Exportações recorde em junho: balança comercial tem superávit de US$ 9,8 bi, 66,6% maior que em 2025

O mês de junho fechou com saldo positivo para a balança comercial brasileira. As exportações alcançaram US$ 36,3 bilhões, novo recorde da série histórica, com crescimento de 24,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho foi impulsionado por todas as categorias de produtos avaliadas, com aumento de volume e de preços, especialmente da indústria extrativa, com destaque para o petróleo.

As importações atingiram US$ 26,5 bilhões, também recorde para meses de junho, representando alta de 14,4% frente ao mesmo mês de 2025. Com isso, o superávit da balança comercial somou US$ 9,8 bilhões, resultado 66,6% superior ao registrado em junho do ano passado.

A corrente de comércio (soma das exportações e importações) também bateu recorde histórico, desde 1989, alcançando US$ 62,8 bilhões, crescimento de 20,3% em comparação com junho de 2025.

Os dados da balança comercial brasileira foram apresentados nesta sexta-feira, 3/7, pelo diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Alves Brandão.

Petróleo

Entre os destaques das exportações, o petróleo bruto respondeu por parcela significativa do crescimento, segundo o MDIC. O produto registrou alta de quase 80% em valor, impulsionado principalmente pela valorização internacional dos preços, que avançaram 67,6%, além da expansão de 6,8% no volume exportado.

"Os bens da indústria extrativa foram os que mais contribuíram para o crescimento das exportações, especialmente em razão do petróleo, cujo aumento de preços teve forte impacto sobre a receita obtida pelo país", explicou Brandão.

A agropecuária também apresentou desempenho positivo, com crescimento impulsionado pela soja, enquanto a indústria de transformação registrou aumento nas exportações de carne bovina, óleos combustíveis e carne de aves, entre outros produtos.

Países

No mercado externo, a China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras, com crescimento de 24,4% em junho. Também houve avanço nas vendas para a União Europeia (43%) e para os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (17,3%). Já o Mercosul registrou retração de 4,7%, influenciada pela queda de 18% nas exportações para a Argentina.

Os Estados Unidos voltaram a registrar crescimento nas compras de produtos brasileiros pela primeira vez desde julho do ano passado, embora, segundo o MDIC, esse movimento tenha sido explicado pela elevação dos preços, já que o volume embarcado ainda recuou 6,6%.

Primeiro semestre

No acumulado de janeiro a junho de 2026, as exportações totalizaram US$ 184,8 bilhões, alta de 11,5% em relação ao mesmo período de 2025 e novo recorde para o semestre. As importações somaram US$ 142,4 bilhões, crescimento de 5,1%, elevando a corrente de comércio para US$ 327,2 bilhões. Com isso, o saldo comercial alcançou US$ 42,4 bilhões, expansão de aproximadamente 40% frente ao primeiro semestre do ano anterior.

De acordo com Herlon Alves Brandão, o desempenho das exportações ao longo do semestre foi puxado principalmente pelos produtos da indústria extrativa. "O petróleo e o minério de ferro responderam pela maior parte do crescimento das exportações no semestre. Também observamos recuperação dos preços da soja e aumento expressivo das vendas de carne bovina, refletindo uma demanda internacional ainda consistente", destacou.

O diretor observou, ainda, que as importações de bens de capital continuam crescendo, sinalizando manutenção dos investimentos na economia brasileira. "O aumento das importações de bens de capital é um indicador importante porque essa categoria está diretamente relacionada aos investimentos produtivos e à formação bruta de capital fixo do país", concluiu.

No acumulado do ano, as exportações para os Estados Unidos caíram 13%. Também houve redução de 12,3% nas importações provenientes do país.

Projeção

O MDIC revisou para cima a projeção da balança comercial para 2026, refletindo a aceleração das exportações e das importações observada no primeiro semestre. A nova estimativa prevê exportações de US$ 394,4 bilhões, alta de 13,2% sobre 2025, e importações de US$ 304,4 bilhões (+8,6%), elevando a corrente de comércio para US$ 698,8 bilhões, um novo recorde histórico. A projeção para o superávit comercial foi mantida em cerca de US$ 90 bilhões.

 

IMAGEM: Paulo Pinto/AE

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