Feiras simplificam os negócios entre brasileiros e chineses
Com a presença de 500 fabricantes e um batalhão de intérpretes, a feira de negócios realizada em São Paulo atrai 6 mil PMEs de todo o país para negociar direto com os empresários chineses

Brasileiros e chineses fazem grandes negócios há quase duas décadas. Possibilidade mais difícil para os pequenas e médias empresas, que dependem de contato direto entre produtor e comprador.
A distância, a língua e o custo da viagem são grandes barreiras para os dois lados.
Desde que a crise econômica tornou os brasileiros mais reticentes nas demandas comerciais, o governo chinês resolveu ajudar os empresários do país a ir direto à fonte por meio de feiras de negócios, como a China HomeLife Brazil e China Machinex Brazil.
Pelo terceiro ano, a organização do evento trouxe uma caravana de 500 fabricantes chineses à São Paulo, com a finalidade de estabelecer parcerias comerciais com importadores, distribuidoras e revendedoras nacionais.
Cerca de 6 mil visitantes circularam pelos estandes, 15% mais do que no ano passado.
NEGÓCIO DA CHINA
“As duas feiras procuram desmistificar a ideia de que um negócio da China só está acessível a grandes empresas”, disse Anselmo Carvalho, diretor da ExpoSolutions, empresa responsável pela organização do evento no Brasil.
Com a vinda dos fabricantes ao país, a feira libera os pequenos empresários brasileiros das despesas proibitivas da viagem internacional, além de contornar os temores de enfrentar um país desconhecido e as barreiras culturais fortes.
Um dos maiores benefícios proporcionados pela organização, de acordo com Carvalho, é o grande número de intérpretes de mandarim colocados à disposição dos participantes.
O evento teve o apoio da Associação Comercial de São Paulo e do Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras (Ceciex)
MUDANÇA DE IMAGEM
O evento trazido pelos chineses ao Brasil faz parte de um amplo projeto do governo chinês de fortalecer vínculos com os países emergentes.
Com o mesmo formato apresentado aqui, o road show passa por mais oito países na Europa e Ásia.
Disposto a superar a imagem de exterminadora de economias locais com seus produtos baratos, o governo chinês adotou um projeto de longo prazo para fortalecer as relações comerciais no exterior.
O projeto idealizado com esse propósito, One Belt, One Road, conta com uma verba de US$ 40 bilhões para aproximar empresas chinesas e locais em projetos de parcerias, transferência de tecnologia e associações duradouras.
Para participar do projeto e receber o aval do governo chinês, são selecionadas empresas com experiência em exportação para países europeus e Estados Unidos.
Outros requisitos são ter a qualidade dos produtos garantida por certificação internacional, cumprimento de legislação ambiental e práticas sustentáveis.
O alvo principal são os países carentes de tecnologia de ponta em áreas dominadas pela indústria chinesa.
DEMANDA BRASILEIRA
Como um dos países mais importantes do grupo, o Brasil recebeu uma seleção de expositores alinhados às necessidades setoriais e às especificidades das regulamentações nacionais.
Entre os setores e segmentos identificados, estão o de móveis, têxtil & vestuário, materiais de construção, eletrônicos, iluminação e artigos para o lar.
Entre os fornecedores de maquinário, estiveram presentes empresas da indústria de plástico, processamento e embalagem de alimentos, construção, equipamentos e ferramentas para o setor elétrico.
Com este cuidado, de acordo com Carvalho, são apresentadas condições objetivas para que os empresários brasileiros tenham acesso à empresa certa para a sua demanda.
Um exemplo de adequação de fornecimento é o de materiais de construção, cujo varejo tem grande necessidade de parceiros internacionais.
Os produtos trazidos para a feira representam 70% do mix de produtos demandados por um home center, muitos com exigências específicas da regulamentação local.
A atratividade dos produtos se dá pelo preço, como no caso de tecidos e fios sintéticos, ou pela inovação. De preferência, pelas duas vantagens.
Um dos expositores, a Iceman3D, trouxe entre seus diversos modelos, uma impressora 3D ao custo de U$ 1 mil. O fabricante antevê para o Brasil o mesmo boom já em curso em outros países, o da massificação dos serviços com esta tecnologia. Uma oportunidade para pequenos negócios.
CRISE?
O momento complicado vivido pelo Brasil não preocupa os chineses. De acordo com o executivo indiano Binu Pillai, responsável pela organização do evento pelo lado da China, a feira se insere em um plano de duas décadas. “A China está de braços dados abertos para o Brasil”, disse Pillai.
Além de mudar a opinião do mundo sobre os produtos de procedência chinesa, o projeto pretende exportar cultura e valores do país. Um dos pontos principais é conseguir ser visto como um parceiro que quer compartilhar o crescimento das empresas desses países. É realmente um projeto de longo prazo.
FOTOS: Divulgação


