Focus traz inflação a 9,23% e Selic a 14,25% em 2015

Avaliação dos analistas é que recessão será pior e com inflação alta. O consenso é que o último aumento na taxa de juros ocorra neste mês

Rejane Tamoto
27/Jul/2015
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Focus traz inflação a 9,23% e Selic a 14,25% em 2015

A redução da meta fiscal, anunciada pelo governo na semana passada, mostrou que as expectativas ruins para a economia neste ano ainda não cessaram. As projeções dos analistas do Relatório Focus, do Banco Central, trazem uma piora para a recessão, inflação e câmbio.

No entanto, o consenso é que o ciclo de aumentos na taxa Selic esteja próximo do fim. A próxima reunião que definirá a taxa de juros do país ocorre nesta quarta-feira (29/07).

O relatório Focus mostra uma recessão maior neste ano, de uma queda de 1,76% do Produto Interno Bruto (soma de bens e serviços produzidos pelo país), ante a um recuo de 1,70% na semana anterior. A taxa de câmbio também foi revisada para cima, de R$ 3,23 para R$ 3,25 no fim de 2015.

A expectativa para a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) também está mais pessimista: de 9,23% ao fim deste ano, ante os 9,15% projetados na semana anterior. Esta foi a 15ª alta consecutiva das previsões para o IPCA deste ano. 

Os economistas do grupo das cinco instituições que mais acertam - o Top 5 - esperam que o IPCA encerre este ano em 9,12%, ante previsão de 9,17% da semana passada. Apesar do recuo, a estimativa está maior do que os 8,92% calculados há um mês.

No curto prazo, também houve ajustes. A estimativa para o IPCA de julho passou de 0,50% para 0,58% de uma semana para outra. No caso de agosto, permaneceu em 0,30%. 

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A novidade do relatório Focus foi a redução da expectativa para a taxa básica de juros (Selic) no encerramento de 2015. A projeção passou de 14,50% ao ano para 14,25% ao ano. O percentual é o mesmo esperado pelo grupo Top 5.

Os analistas esperam que a taxa suba em 0,50 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre nesta quarta-feira (29/07). Assim, a taxa passaria de 13,75% para 14,25% ao ano.

Assim, o mercado financeiro considera que este será o último aumento na Selic promovido pelo Copom em 2015. Até a semana anterior, o relatório Focus mostrava que os analistas esperavam mais uma elevação nos juros básicos da economia de 0,25 ponto percentual em setembro. 

Para os participantes da consulta semanal realizada pelo BC, a redução da Selic começaria mais cedo - em março de 2016, quando o Copom poderá realizar seu primeiro corte na taxa básica de juros, para 14% ao ano. 

Até então, a perspectiva era de que a Selic poderia chegar a 14,50% em 2015 e que um corte efetivo, para 14% ao ano, seria visto em abril.

O consenso, por enquanto, é o de que a Selic estará em 13% ao ano em julho de 2016 e cairá para 12,50% em setembro, podendo atingir a marca de 12% ao ano em outubro, onde deve permanecer até o encerramento de 2016.

DILEMA DO BANCO CENTRAL

A estimativa para a Selic foi revisada depois de declarações pouco usuais em períodos que antecedem a reuniões do Copom. O diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, sinalizou que o aperto na política monetária deve continuar.

Em evento, na última sexta-feira (24/07), ele disse que desenvolvimentos recentes mostram ameaças ao cenário de inflação para 2016, que podem afetar horizontes de mais longo prazo. 

Em relatório, o banco BNP Paribas avalia que o diretor faz uma referência à redução da meta de superávit primário e suas implicações, como a alta do dólar.

"O aperto fiscal menor significa que a política monetária tem de fazer mais. O Banco Central parecia estar se preparando para diminuir o ritmo de aumentos da taxa para 0,25 ponto percentual, encorajado por sinais de que as expectativas de inflação de mais longo prazo diminuíram e pelas crescentes acusações de que estava dando golpes mortais em uma economia já em recessão", diz o relatório. 

O banco alerta para um dilema do Banco Central. De um lado, o aumento de 0,50 ponto percentual agravaria a recessão. De outro, uma alta de 0,25 ponto percentual colocaria em cheque a credibilidade da autoridade monetária, depois de tantos esforços para recuperá-la. "Uma elevação da taxa em 0,50 ponto percentual é mais provável nesta semana", informa o relatório.

Já o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco (Depec) manteve a expectativa de aumento da Selic em 0,25 ponto percentual neste mês, o que levaria a taxa para 14% ao ano. A avaliação é que a autoridade monetária poderá encerrar o ciclo atual de aumento dos juros por causa do enfraquecimento da atividade econômica doméstica em intensidade maior do que se esperava.

REVERSÃO NAS EXPECTATIVAS

Antes mesmo da divulgação do caminho que o  Banco Central deve adotar, já houve uma reversão nas expectativas. 

Depois de três semanas seguidas de redução para a estimativa da inflação, os analistas mantiveram a projeção do IPCA de 2016 em 5,40%. O Banco Central promete entregar a inflação no centro da meta em pouco mais de um ano e projeta que ela esteja em 4,8% no fim de 2016. Os economistas do Top 5 também mantiveram a previsão do IPCA em 5,27% para 2016.

A diminuição da expectativa para a inflação de 2016 era considerada uma vitória pelo Banco Central nas últimas três semanas, mas agora isso se reverteu. Com as projeções estacionadas para este período no relatório atual, houve um ajuste para cima na estimativa para o IPCA de 2017, para 4,70% ante previsão de 4,60% há uma semana. 

Nas estimativas de 2015, o pessimismo cresceu em relação a outros três indicadores de preços. Para a inflação do atacado - o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Mercado) - a expectativa é de 7,69% no fim do ano, maior do que a projeção de 7,64% do relatório anterior. 

A inflação do aluguel, medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), foi revisada para 7,52% no fechamento de 2015, acima da expectativa de 7,46% da semana passada. 

Para o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que mede a inflação para as famílias de São Paulo, a estimativa para 2015 passou de 8,72% para 8,74% de uma semana para outra. 


Foto: Thinkstock
*Com informações de Estadão Conteúdo

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