Geração Z articula protestos no Brasil após levantes em outros países
Peru, Quênia, Indonésia, Nepal (foto) - onde a jolly roger do mangá One Piece apareceu como símbolo dos protestos -, entre outros países, viram recentemente mobilizações de jovens contra a corrupção, privilégios da classe política e restrições às liberdades

A Geração Z ganhou destaque global em 2025 ao protagonizar protestos contra governos em diferentes partes do mundo. Impulsionados pelas redes sociais, jovens transformaram frustrações econômicas e sociais em mobilizações que derrubaram lideranças políticas e expuseram privilégios de elites governantes em diversos países.
Manifestações lideradas por jovens já provocaram quedas de governos ou crises políticas em países como Bangladesh, Nepal, Sri Lanka e Madagascar. Em outras nações, entre elas Sérvia, Filipinas e Peru, protestos organizados pela Geração Z têm pressionado autoridades e ampliado o debate público sobre corrupção, desigualdade e falta de oportunidades.
Mobilização digital chega ao Brasil
Com o apoio das redes sociais, os jovens brasileiros também começam a se organizar. No TikTok, a hashtag #GenZ tem sido usada em vídeos que afirmam que “chegou a vez da Geração Z do Brasil” de enfrentar governos considerados corruptos. Ao pesquisar por “geração z brasil”, surgem conteúdos que mostram protestos, convocações para atos públicos e convites para grupos no Telegram, onde os participantes articulam manifestações em defesa da liberdade e contra a corrupção.
Um dos vídeos mais populares já ultrapassa 280 mil visualizações e convoca jovens para um protesto pacífico no dia 2 de fevereiro, na Avenida Paulista, em São Paulo, além de atos simultâneos em outros estados. Outros vídeos, com mais de 100 mil visualizações, comparam a atuação da Geração Z em outros países com a realidade brasileira e afirmam: “chegou a nossa vez”.
O que dizem os grupos organizadores
A reportagem do Diário do Comércio teve acesso a um dos grupos organizados por esses jovens no Telegram e acompanhou, por algumas horas, as mensagens trocadas entre os participantes.
Nos diálogos, a maioria reforça que o primeiro protesto deve ser pacífico, com o objetivo de conscientizar a população e atrair mais apoiadores. Outros integrantes sugerem ações digitais, como invadir lives de emissoras de televisão e influenciadores para divulgar o protesto.
Em uma das mensagens, um jovem relata que entrou em uma live da Jovem Pan e publicou comentários durante horas para chamar atenção para o movimento.
Atualmente, o grupo já reúne mais de 6 mil participantes, organizados por estados, com listas regionais para facilitar a mobilização local.
Protestos liderados pela Geração Z no mundo
Nos últimos meses, jovens protagonizaram manifestações em diversos países:
- Quênia: A morte do blogueiro Albert Ojwang levou centenas de jovens às ruas. A Geração Z exigiu a renúncia do vice-chefe da polícia e do presidente, além do fim da brutalidade policial.
- Indonésia: Protestos contra regalias de parlamentares ganharam força. O presidente suspendeu benefícios a políticos para conter a crise.
- Nepal: Jovens usaram as redes sociais para organizar atos contra o luxo da classe política em contraste com a pobreza da população. O movimento derrubou o governo e levou a novas eleições parlamentares.
- Filipinas: Milhares protestaram contra corrupção em projetos de controle de enchentes. O estopim foi a ostentação de carros de luxo por empreiteiros ligados ao governo.
- Peru: Manifestações contra a presidente e o Congresso ocorreram após uma reforma da previdência. Corrupção, criminalidade e crise econômica também motivaram os atos.
- Madagascar: Jovens protestam contra cortes de energia e falta de água, exigindo a renúncia do presidente.
- Marrocos: Protestos contra gastos com a Copa do Mundo pedem mais investimentos em saúde e educação, movimentos semelhantes aos vistos no Brasil em 2013 e 2014, organizados pelas redes sociais.
Para além de ideologias políticas
Dos sete países citados, cinco tinham governos de direita no início dos protestos, enquanto dois eram governados pela esquerda, indicando que a insatisfação da juventude transcende ideologias políticas.
Apesar das diferenças regionais, os movimentos apresentam pontos em comum: frustração com o poder público, desigualdade social, desemprego elevado e falta de perspectivas para os jovens. A Geração Z tem utilizado sua familiaridade com o ambiente digital para se conectar, organizar protestos e amplificar suas demandas.
A Geração Z é composta por pessoas nascidas entre 1995 e 2009. Considerada a primeira geração nativa digital, cresceu em meio à internet e tende a ser mais crítica, conectada e engajada em debates sobre política, diversidade, sustentabilidade e justiça social.
O avanço dessas mobilizações levanta uma questão central: o Brasil poderá ser o próximo país a vivenciar um levante liderado pela Geração Z?
IMAGEM: reprodução/Youtube
