Gerson Camata, ex-governador do ES, é assassinado a tiros em Vitória
Suspeito do crime já foi preso e presta esclarecimentos. Motivação teria sido uma ação judicial movida por Camata contra seu ex-funcionário

O ex-governador do Espírito Santo Gerson Camata (MDB), de 77 anos, foi assassinado a tiros na tarde desta quarta-feira (26/12), na Praia do Canto, em Vitória.
A Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo informou que ele foi alvo de vários disparos e não resistiu aos ferimentos. O suspeito do crime já foi preso e presta esclarecimentos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, informou a Secretaria de Segurança Pública.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, Nylton Rodrigues, o ex-assessor Marcos Venicio Moreira Andrade, 66, que trabalhou durante 20 anos com Camata, confessou o crime. Ele foi preso e presta esclarecimentos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), órgão da Polícia Civil.
Radialista e economista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo, Gerson Camata foi senador de 1987 a 2011. Governou o Espírito Santo entre 1983 e 1986. Antes disso, foi deputado federal, estadual e vereador em Vitória.
MDB
O partido do ex-governador, o MDB, emitiu uma nota de solidariedade pela morte de Camata. "O MDB se solidariza com todos os capixabas, familiares e amigos pela perda de forma trágica e violenta do ex-governador Gerson Camata, um dos mais importantes quadros do partido e do processo de redemocratização do País. Camata teve sua trajetória marcada pelo compromisso com seu Estado, tendo sido um dos senadores mais atuantes ao longo de mais de 20 anos de mandato." ()
Formado em economia, Gerson Camata se destacou a partir de um programa de televisão, no Espírito Santo, nos anos de 1960.
A partir daí, foi para a política, sendo eleito governador, senador e deputado federal.
Na Constituinte, Camata defendeu a limitação do direito de propriedade privada, o mandado de segurança coletivo, a jornada semanal de 40 horas, o aviso prévio proporcional, a unicidade sindical, o voto aos 16 anos, o presidencialismo, a limitação dos juros reais em 12% ao ano, o mandato de cinco anos para presidente e a criação de um fundo de apoio à reforma agrária.
Como parlamentar da Constituinte, ele se absteve das votações relativas ao turno ininterrupto de seis horas e à anistia aos micro e pequenos empresários.
Era casado com Rita Camata, ex-deputada federal por cinco mandatos, que foi relatora do Estatuto da Criança e do Adolescente e da Lei de Responsabilidade Fiscal. O ex-governador deixa dois filhos.
*Com Estadão Conteúdo
FOTO: Agência Senado

